Quarta-feira, 31 de Dezembro de 2014
 
 
Quando a morte te levou,
Não me quis levar contigo.
De ti, apenas, ficou
A saudade, onde me abrigo.

 

Ah, mas eu sei, meu amor,
Que ficaste junto a mim,
Sorrindo em cada flor
Que alinda a nosso jardim.

 

E quando à noite olho os astros
O firmamento bordando
O lucilar dos teus rastros,

 

Eu sei, a todo o momento,
Que tu me estás acenando
Dos confins do firmamento.
 

 

José-Augusto de Carvalho
Lisboa, 6 de Agosto de 2011


publicado por Do-verbo às 04:54
Segunda-feira, 30 de Janeiro de 2012
 
 
Quando a morte te levou,
Não me quis levar contigo.
De ti, apenas, ficou
A saudade, onde me abrigo.

 

Ah, mas eu sei, meu amor,
Que ficaste junto a mim,
Sorrindo em cada flor
Que alinda a nosso jardim.

 

E quando à noite olho os astros
O firmamento bordando
O lucilar dos teus rastros,

 

Eu sei, a todo o momento,
Que tu me estás acenando
Dos confins do firmamento.
 

 

José-Augusto de Carvalho
Lisboa, 6 de Agosto de 2011


publicado por Do-verbo às 16:22
Domingo, 22 de Janeiro de 2012

 

 
Media as encruzilhadas
dos caminhos já rasgados
nas solidões assombradas
da imensidão dos montados.
*
Na noite dos arvoredos,
as sombras mal entrevistas
eram furtivos segredos
de ousados contrabandistas.
*
Sob a noite, me escondia,
cavalgando à revelia
as leis impostas na Ibéria…
*
Vivi sem onde nem quando,
tecendo no contrabando
um açaimo prà miséria…
*
 
José-Augusto de Carvalho
Lisboa, 1 de Novembro de 2011.


publicado por Do-verbo às 15:17
Quarta-feira, 01 de Junho de 2011
 
 
De palavras não careço
nem há palavras precisas;
apenas o teu olhar
sempre me ilumina e guia.

 
Afronto as encruzilhadas
indefinindo os caminhos.
Despetalo rosas rubras
e o caminho cheira a sangue.

 
Em cada nuvem cinzenta
que presagia procela,
adivinho as tuas lágrimas
derramando-se na espera.

 
Com o meu bordão, amparo
o trôpego caminhar
dos meus passos que recusam
descansar ou desistir.
 
 
 
José-Augusto de Carvalho
1 de Junho de 2011.
Viana de Fochem


publicado por Do-verbo às 15:34
Terça-feira, 11 de Janeiro de 2011


 

 

 


São os campos imensos,

sem suor e sem pão!

São os músculos tensos,

tensos, tensos em vão!

 

São tão rudes e densos

estes campos de estevas!

São tão negros os lenços

de miséria e de trevas!

 

São inúteis os dias,

mortos de desencanto,

a gritar agonias

em sepulcros de espanto!

 

Amargurada terra,

quem de ti te desterra?

 

 

 

José-Augusto de Carvalho

30 de Abril de 1998.

Viana * Évora * Portugal 


publicado por Do-verbo às 15:45

 

 

 

Deserto de silêncio que não venço.

Areias de miragens e desdém.

O verbo de incerteza e dor suspenso

da força da vontade que não vem.

 

Da força de vontade que não minha,

que este suor me empapa inteiro o rosto...

A minha parte dou da nossa vinha

e as uvas que pisei e já são mosto...

 

Até ao fim será este o caminho.

A dúvida recuso se perpassa

e tenta me toldar o racicocínio.

 

Que cheiro a vinho novo! Santo vinho!

Homem, ergue bem alto a tua taça

e envolve a terra e o céu no teu fascínio!

 

 

José-Augusto de Carvalho

27 de Janeiro de 1997.

Viana * Évora * Portugal


publicado por Do-verbo às 15:23
Domingo, 09 de Janeiro de 2011

 

 

 

São estes campos doídos,

sempre a dizerem que não

aos nossos braços caídos

por sem trabalho nem pão...

 

É este arame farpado

a prender o nosso chão,

como se fosse um danado

campo de concentração...

 

É esta dor ferrugenta

minando os nossos arados...

É esta terra sedenta

dos trigais já condenados...

 

É esta angústia de ser,

morrendo sem se render...

 

 

 

José-Augusto de Carvalho

22 de Abril de 1998.

Viana*Évora*Portugal


publicado por Do-verbo às 16:21
Sábado, 08 de Janeiro de 2011

 

 

Tenaz

é este tempo sempre em busca de mudança,

correndo decidido e que nos leva e traz

o sonho que se esvai e se ergue da esperança...

 

Tenaz

é este tempo ousando a força da vontade

em tempos dividido, inteiro e sem idade,

escombros do que foi, no barro em que se faz...

 

Tenaz

é este tempo, a flor adivinhando o fruto,

a polpa, o sumo, o aroma, o ser que se desfaz

e se refaz semente em auras de absoluto...

 

Tenaz

é este tempo, a guerra em parto, vida e paz!

 

 

José-Augusto de Carvalho

Lisboa, 19 de Dezembro de 1996.


publicado por Do-verbo às 14:44
Sexta-feira, 07 de Janeiro de 2011

 

A angústia dos arquivos, o vazio...

Doendo um tempo sórdido  e sombrio...

 

Escrevo os gritos nas paredes frias

e a minha voz ecoa pelas ruas...

Inertes, no silêncio, as sombras nuas

um medo sacralizam, de agonias...

 

Profana, impura e vil é esta argila,

moldada p'la distância imersa em mitos...

Quem dorme o pesadelo dos proscritos

e bebe o fel que a negação destila?

 

Em autos de má fé, os meus tiranos

a cinza me reduzem com seus medos...

E grito e morro em dor e desenganos...

E impunes, nos arquivos, os segredos...

 

 

José-Augusto de Carvalho

11 de Fevereiro de 1997.

Viana*Évora*Portugal


publicado por Do-verbo às 15:20

 

 

Este tempo de estar, actor que representa

não a vontade extravasando impulsos,

mas sempre a rigidez, que lhe algemando os pulsos,

dói tanto em seu doer, numa tortura lenta.

 

As regras a cumprir, perversas e castrantes.

Dos outros, o querer -- a norma imperativa.

E tudo se reduz à condição cativa

do grão a germinar em haustos hesitantes.

 

A terra exausta é dura e débil a promessa.

Extensos, os adis erguidos na recusa.

E a fome espera o pão sagrado que a seduza,

nos braços que hão-de haver a vida que começa.

 

E o tempo, noutro tempo, em ânsia transmutado,

num deslumbrante sol que raia deslumbrado!

 

 

 

José-Augusto de Carvalho

24 de Outubro de 1998.

Viana*Évora*Portugal


publicado por Do-verbo às 11:15
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