Sexta-feira, 22 de Abril de 2011
 
A sujeição do sujeito,
quer seja determinado,
quer seja indeterminado,
é causa, é gesto, é efeito
do abuso de predicado.
 
A astúcia que o verbo tem!
Como sujeita o refém!

 
 
José-Augusto de Carvalho
5 de Setembro de 2001 - 3 de Outubro de 2010
Viana * Évora * Portugal


publicado por Do-verbo às 07:52

 
Sem manta por abrigo,
o céu sobre o meu dorso,
à deriva, prossigo.
Sem medo nem esforço.
À chuva, ao frio, ao sol,
instante o movimento.
Se o chão é lamacento,
não temo que me atole
buscando outro mais firme.
Comigo na bagagem,
pressinto diluir-me
no todo da paisagem.
E a singularidade
da minha condição
perde-se na voragem
duma pluralidade
onde as partes do todo
se esbatem nos devires do lodo...
Infinitude e caos - constante mutação.
 
José-Augusto de Carvalho
21 de Setembro de 2001 - 4 de Outubro de 2010
Viana * Évora * Portugal


publicado por Do-verbo às 07:48

 



Recuso e no meu não florescem as manhãs.
Ao sol fraco e tardio,
abertas, as romãs
sangram num desafio.
 
Quis ser também assim, fugaz, a viva essência,
no tempo que me coube.
Se não pude ou não soube,
paciência...

 
 
José-Augusto de Carvalho
Agosto de 2001./Setembro de 2010.
Viana*Évora*Portugal


publicado por Do-verbo às 06:54

Monte Alentejano, Internet
 
 
Caíram as sombras frias
sobre o espanto dos montes.
As fogueiras que acendias
nem ao sol de Agosto as contes!...
Hoje, os caminhos são outros.
Os montes ao abandono!
Cavalos, éguas e potros,
há muito dormem o sono
duma memória perdida
de ciganos à deriva...
 
Diz um senhor bem-falante,
a ressumar importância,
que tudo muda  -- É a vida!
E a memória, subversiva,
corrige: Olhai o desplante!
Deixai passar a ignorância!...
José-Augusto de Carvalho
5 de Setembro de 2001.
Viana*Évora*Portugal


publicado por Do-verbo às 06:32
Quinta-feira, 21 de Abril de 2011

O verbo em sinfonia.
O rito. A cor. A dança.
Pureza em harmonia.
Os corpos nus e lassos.
Uma vertigem mansa,
bordada de cansaços,
a infinitude alcança
dos siderais espaços.
 
 
 
José-Augusto de Carvalho
14 de Setembro de 2001.
Viana*Évora*Portugal


publicado por Do-verbo às 16:02

 


 

Os tempos do desatino
embotam as mentes lerdas,
presumindo-lhes que as perdas
são azares do destino.
 
Porque será que o destino
só embota as mentes lerdas
e nunca provoca perdas
a quem gera o desatino?
 
 

José-Augusto de Carvalho
5 de Setembro de 2001.
Viana*Évora*Portugal
 


publicado por Do-verbo às 09:31

 

 
Mais alto, se puderes!
Não sei se Deus existe.
A dúvida persiste,
mas vou onde quiseres.
 
Irei, porque acredito
até ao infinito!
 
Irei em liberdade.
Sem peias nem dever.
Nada me persuade.
Por mim, irei até me achar ou me perder.
 
Fogueira que não arde,
não pode ser fogueira.
Quando muito, será falaz alarde,
que presumido e fútil,
só desfralda a bandeira
da verborreia inútil.
 
Mais alto, se puderes!
Irei onde quiseres!
 
 
José-Augusto de Carvalho
7 de Setembro de 2001.
Viana*Évora*Portuga


publicado por Do-verbo às 09:09
 

 
A orgia dos medíocres continua!
Nos palcos da cidade, a farsa plena!
Atónito, de cena para cena,
O vulgo, num delírio, se extenua.
 
O conto do vigário, apelativo,
Desperta, numa esdrúxula apetência,
instintos primitivos de indigência.
Que náusea estar, aqui, sujeito e vivo!
 
 
José-Augusto de Carvalho
6 de Agosto de 2001 - 1 de Outubro de 2010.
Viana*Évora*Portugal


publicado por Do-verbo às 08:59

 
 
Perdido, olho as estrelas.
Meu corpo treme e fica tão sensível
que uma ânsia de impossível
só pretende retê-las
e guardá-las pra mim!
Eu sei que sou matéria do infinito
e que desse infinito é que provim.
As pretensões do mito,
que me quiseram barro modelado,
são as certezas vãs duma ignorância
que só nos faz sorrir.
São o tempo datado da jactância
ousando presumir
o mistério insondável da distância.
 
José-Augusto de Carvalho
Viana*Évora*Portugal


publicado por Do-verbo às 08:52
 
Se tudo se transforma,
sem nunca adulterar a sua essência,
a massa que me enforma
é, transitória, apenas a aparência
efémera, mas viva e definida,
no caos perene e cósmico da Vida.
 
Talvez eu venha a ser um doce fruto
da planta que o meu corpo, em cinzas frias,
um dia, fertilize, em nova senda...
E eu possa, neste anelo de absoluto,
ser novo alor das tuas energias,
em tarde amena, à hora da merenda...
 

 
José-Augusto de Carvalho
1 de Agosto de 2001-29 de Setembro de 2010
Viana*Évora*Portugal


publicado por Do-verbo às 08:46
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