Domingo, 29 de Novembro de 2009

 

 

Minh’alma está ferida. A morte ronda perto.

Os homens firmam longe o curso de outros rios.

Nas horas da tragédia, erguida em calafrios,

a força noticia o mundo em tempo incerto.

 

Que sonhos de luar? Irrompem desvarios.

As portas do inferno assombram o deserto.

Os gumes dos punhais desfiam desafios…

Os homens já não são o Prometeu liberto.

 

No mundo, pereceu o sonho da criança.

Miragens de Aladim. As lendas da magia.

O tempo do sem tempo é a Mesopotâmia.

 

Os ídolos de antanho, em aras de matança,

exigem sangue, numa orgia de agonia…

Os homens já não são. Que carnaval de infâmia!

 

 

 

 

José-Augusto de Carvalho

Viana do Alentejo * Évora * Portugal

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publicado por Do-verbo às 06:53

 

 

O grito que ressoa acorda o sonho antigo.

As crinas dos corcéis ondulam anelantes.

Nas dunas do deserto em fogo onde me abrigo,

Os teus apelos de alma e coração distantes.

 

No tempo e no lugar, as sedes de outras fontes.

Em ti, o lago pleno, ocaso de afluentes.

Depois de ti, não pode haver mais horizontes.

Que mais, além de ti, se tudo em ti consentes!...

 

Escondes, sob o véu, os lábios purpurinos.

Sedentos de áurea lava, em tragos de ambrosia.

Prometes, no teu ventre, anseios levantinos.

 

Gemidos de luar de cálida estesia!

Teu grito, no meu grito, o grito definido...

Aurora recusando o tempo interrompido!

 

 

José-Augusto de Carvalho

Porto Alegre, 31.10.2002

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publicado por Do-verbo às 04:36

 

 

 

 

Em terras do Alentejo, há muito emurcheceu,

no sonho de Aladim, a flor da fantasia.

Sem noites de luar, o canto emudeceu

e um manto de tristeza o nada silencia.

 

O sol é um incêndio, um caos de idolatria,

que o tempo-amar-e-ser há muito corrompeu…

Em terras do Alentejo, há muito emurcheceu,

no sonho de Aladim, a flor da fantasia.

 

Ai, que assombrada voz meu sono escureceu!

Que pesadelo em mim só me anoitece o dia…

O dia que eu queria e nunca amanheceu!

Saudade do que fui! A flor da fantasia,

em terras do Alentejo, há muito emurcheceu…

 

 

 

José-Augusto e Carvalho

Viana*Évora*Portugal

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publicado por Do-verbo às 04:26
 

Na limpidez do céu, um infinito azul
envolve, no seu manto, a terra abandonada.
Assombros de passado acenam mais a sul…
Areias de ouro e sol de uma magia alada…

A voz de Sherazade enfeitiçando ainda
as noites de luar, em fios de alva renda…
Há cânticos de amor, num sonho que não finda…
Seu corpo, belo e nu, enleia a minha tenda…

A dádiva da vida, em sôfregos carinhos,
enlaça-me num todo anelos de pureza
e sinto crepitar o fogo em nossas veias…

As rotas do deserto, os múltiplos caminhos
que cruzo milenar em busca da riqueza
dos astros de outro céu que emerge das areias…

José-Augusto de Carvalho
Viana do Alentejo * Évora * Portugal
Migrando para este novo espaço.


publicado por Do-verbo às 04:14
Terça-feira, 25 de Outubro de 2005

 

 

 

É noite. Batem horas, sonolentas,

na torre de menagem dos castelo.

Ah, noite, que de sombras te sustentas,

doendo neste sonho em que me velo!

 

Monótono é o som que se dilui

nas ruas sem viv'alma deste burgo.

Que frias estas cinzas do que fui!

Só dores escaparam ao esburgo!

 

Comigo trouxe o grito flamejante

do verbo rendilhado, verso a verso,

e nada, por desgraça, foi bastante

para deter o poderio adverso.

 

Perdido o sonho, vive, Al-andaluz,

na lenda que perdura e nos seduz!

 

 

 

7 de Outubro de 2005.

Viana * Évora * Portugal



publicado por Do-verbo às 23:37
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