Sexta-feira, 27 de Novembro de 2009

 
Seu retrato na moldura
mais parece uma pintura,
é tão diferente de você, na realidade.
Seu retrato marca o tempo,
quem será o aquarelista?
Mas é foto, foi preciso um retratista.
Mas você, não, é de verdade!
No jardim cuida das flores, que linda!
Não as flores, falo de você, ainda!
Na cozinha, de avental, toda suja,
é sem jeito, você tem que concordar.
Mas, meu Deus, que cozinheira eu tenho!
Eu preciso acordar!
Seu retrato na moldura
mais parece uma pintura.
E ele anda pela casa,
faz faxina no banheiro,
tira pó dos móveis,
toma banho de chuveiro!
Seu retrato muda a roupa,
estica a perna na cama e veste a meia,
e, eu, que não sou retrato,
fico olhando esse seu ato
salivando, a boca cheia!
Seu retrato na moldura
não é você, meu bem!
Seu retrato hoje tem rugas,
já precisa de ginástica.
Mas eu olho esse retrato
e preciso confessar
o que jamais te disse,
porque não te conhecia
nesses anos do retrato.
Teria um namorado?
Seria sozinha?
Eu amo esse retrato,
porque desde que nascemos,
e em todos os dias de antes,
eu sempre fui seu,
e você sempre foi minha!


Ivan Carvalho de Siqueira

Macaé, primavera de 1996
RJ - Brasil
Migrando para este novo espaço.


publicado por Do-verbo às 14:34
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