Quinta-feira, 10 de Novembro de 2011
 




Nem um palmo tinha
de terra que fosse minha.
 
A lonjura das herdades
ganhava ao longe da vista...
E o sangue do meu suor
a tudo deu de beber.
 
Não há homem que resista
quando tudo tem de dar
e nada que receber...
Quando até o pão que é seu
é obrigado a pagar...
 
Fui a gleba, fui a fome.
Não tinha terra nem nome...
 
 
José-Augusto de Carvalho
In arestas vivas, 1980.

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publicado por Do-verbo às 15:00
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