Terça-feira, 30 de Novembro de 2010

 

 

 

Naqueles tempos incertos,
vieram as grandes fomes,
agudizando a paixão
de séculos de calvário.
 
 
As notícias que chegavam,
traziam, de longe, o sangue
e os escombros amassados
de dor, metralha e desgraça.
 
 
Para cá dos Pirenéus,
a mordaça dos tiranos
impunha o silêncio e a paz
de grades e cemitérios.
 
 
A cobiça dos Senhores
alardeava as vitórias
de assassinos e verdugos
de um império de mil anos.
 
 
E o medo gerava o medo...
E os passos da delação
silenciavam as bocas
uivantes dos deserdados...
 
 
Daqueles tempos incertos
há ainda os estertores...
Quem não viveu esses tempos,
mantenha-se em guarda e evite
perversas ressurreições!...
 
 
José-Augusto de Carvalho
Lisboa, 2 de Setembro de 1996.


publicado por Do-verbo às 18:52
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