Terça-feira, 30 de Novembro de 2010

 

 

 

 

 

 

Ressoam, no meu peito, ausências e amarguras.

Os ecos do teu livro em mágoas e de mágoas...

Em cada pôr de sol. há mágoas e eu alago-as

com águas a brotar das fontes das rupturas.

 

As nuvens, ágeis, vão velozes, em tropel...

As árvores, erguendo os braços, querem tê-las,

numa ânsia de matar a sede e de trazê-las

para os abismos onde as águas são de fel.

 

Sinto na boca o gosto amargo da mentira.

E a náusea de existir, encarcerada em lama,

da mágoa deste chão, teu corpo ainda inflama.

E eu quero-me imolar numa sagrada pira.

 

Ah, Flor da minha terra, habita, Bela, em nós!

Nos nossos ais, ressoa e vive a tua voz!

 

 

 

 

José-Augusto de Carvalho

Viana * Évora * Portugal

*** 

Florbela de Alma da Conceição Espanca nasceu no Alentejo,

em Vila Viçosa, distrito de Évora, no dia 8 de Dezembro de 1894,

e morreu, em Matosinhos, em 1930, na madrugada do seu 36º. aniversário.

A sua primeira obra, «Livro de Mágoas», foi publicado na cidade do Porto, em 1919.



publicado por Do-verbo às 15:29
Registo de mim através de textos em verso e prosa.
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