Domingo, 21 de Dezembro de 2014

partilha_do_pão.jpg

 

Não escrevas estranhas palavras

que eu não sei decifrar.

Fala simples no simples falar

com que falas às terras que lavras.

 

Vem falar-me das dores dos partos

das ovelhas ao frio paridas

e das sôfregas arremetidas

dos seus anhos aos úberes fartos.

 

Vem falar-me da ordenha

e do leite coalhado…

Quem desdenha

umas sopas de almece abafado?

 

Deixa as altas montanhas

e os sermões dos antigos

vai buscá-los nas fundas entranhas

onde ocultos germinam os trigos...

 

Onde oculta germina a promessa

do cativo devir prometido...

onde tudo começa:

a certeza do pão repartido.

 

 

 

José-Augusto de Carvalho

21 de Dezembro de 2014.

Viana * Évora * Portugal

 



publicado por Do-verbo às 22:47
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