Quinta-feira, 10 de Novembro de 2011

 

Cada espiga suava o cansaço

ou, talvez, uma lágrima ardente.

Na fatia de pão ainda quente,

eu comia o calor dum abraço.

 

A pujança vital do teu braço,

p'la descrença algemado ardilmente.

Foste o ferro, ao sol incandescente,

à espera da têmpera do aço...

 

Não sabia, menino, que esta ânsia,

que eu colhia no vento, provinha

das papoilas vermelhas e bravas...

 

Não sabia, nos anos da infância,

que tu eras a fome que eu tinha,

saciada no pão que me davas...

 

 

José-Augusto de Carvalho

In arestas vivas, 1980.

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publicado por Do-verbo às 15:15
 




Nem um palmo tinha
de terra que fosse minha.
 
A lonjura das herdades
ganhava ao longe da vista...
E o sangue do meu suor
a tudo deu de beber.
 
Não há homem que resista
quando tudo tem de dar
e nada que receber...
Quando até o pão que é seu
é obrigado a pagar...
 
Fui a gleba, fui a fome.
Não tinha terra nem nome...
 
 
José-Augusto de Carvalho
In arestas vivas, 1980.

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publicado por Do-verbo às 15:00
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