Terça-feira, 31 de Maio de 2011
 
 

Dezembro na tradição
do milagre de nascer!...
Anseio em superação
de um mal-estar e mal-ser
da Humanidade em questão.
 
 
Se os direitos que são meus
mos recusou o cambista,
porque também os quer seus,
afinal que tempo dista
do tempo dos fariseus?
 
 
Eu prefiro, por lição,
a páscoa porque é passagem
do tempo da negação
ao tempo-hoje da coragem
que diz não à sujeição.

 
 
 
José-Augusto de Carvalho
3 de Dezembro de 2006.
Viana * Évora * Portugal
 
Nota: Este poema não foi incluído, por lapso, na colectânea «O MEU CANCIONEIRO».
Ficará assim em espera de uma reedição da colectânea ou será incluído em uma outra a preparar.


publicado por Do-verbo às 12:01

 
 
Partiram tantos, rumo à áurea claridade
da fome que tem pão, da sede que tem vinho!
Deixaram para trás a insólita cidade
que apenas desconforto escolhe por caminho.
 
Levaram, na saudade, a triste cantilena
que, em lágrimas, se quer cantiga de embalar!
E à noite, quando a dor da solidão condena,
essa cantiga vai lhe as mágoas consolar.
 
Acharam desde o pão ao vinho, no labor.
E as gentes são iguais na dor e na alegria!
Apenas é diverso o modo de falar...
 
Aqui ficámos nós, sujeitos do que for
o dia de amanhã, que mal nos presagia
um dia mais no logro absurdo de esperar...
 
 


José-Augusto de Carvalho
27 de Fevereiro de 2008.
Viana * Évora * Portugal


publicado por Do-verbo às 09:53

 

 
 
 
As árvores despiram as roupagens
que lhes vestira o ardor da primavera.
 
Dos êxtases de odor, em flor policromados,
dos néctares de alada embriaguez...
do efémero existir já nada resta.
 
Depois do sol fagueiro aconchegar,
em manta travestido,
a enxerga deserdada,
o tempo a seus desígnios já se rende
e o desconforto vem
assobiar nas telhas dos abrigos.
 
Agora,
nos hirtos galhos nus,
o inverno tece a frio o níveo manto
ornado de pendentes de sincelo.
 
 
 
José-Augusto de Carvalho
19.1.2008
Viana * Évora * Portugal


publicado por Do-verbo às 08:33
 
 
 
Para Conceição di Castro, minha amiga



 

 

Naquele dia, um sol de outono austral
vestiu a cor de um Dia de Natal.
 
Suave, de matizes amarelos,
dourava de ternura o mês de abril.
Aqui e ali, revérberos de anelos
de uma pureza grácil e infantil.
 
Folgavam pelos céus os passarinhos,
às vezes arriscando acrobacias,
quem sabe pesquisando alguns caminhos
das rotas inventadas de outros dias...
 
E, assim, aquele dia de esplendor,
ao sol da vida ousou e foi a tela
que o génio sublimado de um pintor
reteve numa cândida aguarela.
 
 

 

José-Augusto de Carvalho
20 de Abril de 2007.
Viana * Évora * Portugal


publicado por Do-verbo às 08:20
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