Domingo, 17 de Abril de 2011


 

 

No meu acontecer,

fui o que pude ser.  



Ergui-me, deserdado,

no tempo encarcerado.



A incerteza enfrentei...



e sem arma nem lei!


 


No escuro mergulhei,



onde o verbo, ultrajado,



impunha o ser negado...



e eu sem arma nem lei!


 


Não traí nem neguei.



Fui, no verbo jurado,



o tempo conjugado...



e sem arma nem lei!


 

 


José-Augusto de Carvalho



Lisboa, 15 de Fevereiro de 1997.




publicado por Do-verbo às 16:13

 

 
 
 
 
As grades nas janelas.
O plúmbeo das vidraças.
As hirtas sentinelas.
As vagas luzes baças.
 
Novelos de água densa.
O frio rodopio.
A túnica suspensa
do corpo-desafio.
 
As ondas de outros mares.
Os gritos sufocados.
Os medos nos esgares
dos barcos ancorados.
 
As bússolas incertas.
À tona as caravelas.
As mágoas descobertas,
velórios de outras velas.
 
Silêncio, escuro, nada.
Farol na tempestade.
Sem cor nem claridade,
a lâmpada apagada.
 
Mataram Aladim.
Mataram a essência.
Nem chamam mais por mim
meus sonhos de inocência...
 
 
 
José-Augusto de Carvalho
10 de Outubro de 2002.
Viana*Évora*Portugal


publicado por Do-verbo às 16:09

 
 
 
 
No sonho mergulhei de ser poeta
e encontro na palavra a tessitura
que, além de mim, no todo se projecta,
num grito libertário de aventura...
 
Na sedução do tempo, à hora estreme,
Escrevo os versos rubros da canção.
E a primavera no meu peito freme
num êxtase de vida em floração...
 
E sinto que sou eu na voz que escuto
e faz de mim apenas o meu grito.
Meu sonho de poeta e de absoluto
não cortes minhas asas de infinito...
 
...e deixa-me, na angústia das tonturas,
morrer nesta vertigem das alturas...

 
 
José-Augusto de Carvalho

22 de Outubro de 2006.
Viana do Alentejo * Évora * Portugal


publicado por Do-verbo às 16:06
 
 
 
 
Há, nesta terra, a raiz,
o caule, a dourada espiga
e a fome, numa cantiga,
desencontrando um país.
 
Há saudades do Passado,
há saudades do Futuro
no meu país que procuro
em cada arado parado.
 
Há mais joio do que pão.
No abandono da paisagem,
apenas, à sua imagem,
o peso da solidão.
 
E os silêncios e os adis
já nem guardam na lembrança
as searas de esperança
na promessa de um país!
 
Há, apenas, os presságios
de temores e procelas
arrastando as caravelas
para quantos mais naufrágios?
 
 
Ah, que nesta dor extrema,
de ansiedade permanente,
seja salvo, novamente,
o meu país, num poema!


 
 
José-Augusto de Carvalho
Lisboa, 10 de Setembro de 2010


publicado por Do-verbo às 16:03
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