Sexta-feira, 17 de Dezembro de 2010

 

 

 

Nas asas das borboletas

há matizes deslumbrados

dos teus olhos evadidos...

 

Nas tuas mãos inquietas

há gestos adivinhados

de bailados proibidos...

 

Quando o rouxinol poeta

deixa entrever a centelha

do seu talento encantado,

 

na tua boca vermelha

uma promessa secreta

é um grito sufocado....

 

 

José-Augusto de Carvalho

in arestas vivas, 1980


publicado por Do-verbo às 09:46
 
 
Desce
 
da neblina
 
da vertigem
 
à origem...
 
E germina,
 
cresce
 
e floresce.


 
 
José-Augusto de Carvalho
In arestas vivas, 1980


publicado por Do-verbo às 09:21

Casal de camponeses indo para o trabalho - Van Gogh

 

 

Nem um palmo tinha

de terra que fosse minha!

 

A lonjura das herdades

ganhava ao longe da vista...

E o sangue do meu suor

a tudo deu de beber!

 

Não há homem que resista

quando tudo tem de dar

e nada que receber!

Quando até o pão que é seu

é obrigado a pagar...

 

Fui a gleba, fui a fome.

Não tinha terra nem nome...

 

 

José-Augusto de Carvalho

In arestas vivas, 1980


publicado por Do-verbo às 08:15
 

 

Guardei no bolso a amargura
que me coube nas partilhas.
 
Bebi, com raiva convulsa,
uma lágrima teimosa
e parti como um maltês
acossado p'los rafeiros...
 
Partiu comigo a mentira
da terra que se diz minha...
 
 
José-Augusto de Carvalho
In arestas vivas, 1980


publicado por Do-verbo às 03:59
Registo de mim através de textos em verso e prosa.
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