Quarta-feira, 15 de Dezembro de 2010
 
*
 
Todo o tempo que porfia
sempre um novo tempo gera,
num afã que se recria
de perene primavera.
 *
Porque a inércia não existe,
estar vivo é movimento,
na viagem que persiste,
a favor e contra o vento.
 *
Vamos todos, sem demora,
neste não de ser refém
duma Torre da Má Hora
donde nunca vem ninguém!
 *
Vamos, sem demora,
no tempo que é de nós,
vamos, é a hora
de termos voz!
 *
*
José-Augusto de Carvalho
5 de Julho de 2009.
Viana*Évora*Portugal
(Na música da canção napolitana «Torna a Surriento»)


publicado por Do-verbo às 07:20
 
*
Na minha terra,  já rareia o trigo.
Ermos os campos, dói a solidão.
Até o duro pão que, em sopas migo,
estranho, sabe à dor da emigração.
 *
Oh, minha terra
de sol e pão,
quem nos desterra
do pátrio chão?
Oh, terra
de sol e pão,
quem nos desterra
do pátrio chão?
 *
Quando a saudade queima no meu peito,
os cravos secos gritam na memória!
Sinto, doendo, o sonho já desfeito.
Quem disse não ao rumo da História? 
 *
Oh, minha terra
de sol e pão,
quem nos desterra
do pátrio chão?
*
Oh, terra
de sol e pão,
quem nos desterra
do pátrio chão?
 *

   * 
José-Augusto de Carvalho
Julho de 2009.

Na música da canção napolitana «O sole mio».


publicado por Do-verbo às 07:16
 
 *
Saudade, Mãe, que saudade
do teu regaço-meu ninho!
Eu fui, na tua verdade,
vertigem doutro caminho...

*
De olor e cor, fui a flor
mais linda do teu jardim...
Nem o génio de um pintor
criou uma flor assim...
***
Só na fragrância
do  meu altar de saudade
a minha infância
vive na tua verdade…

*
Ousando a Vida,
hoje, sozinho, caminho,
sem a guarida
já perdida do meu ninho.
*
*
José-Augusto de Carvalho
25 de Junho de 2006.
Viana do Alentejo * Évora * Portugal
Música de Maria Luísa Serpa


publicado por Do-verbo às 07:06

 

Os longes da memória --- o tempo e o modo

renascem, inventados, água e lodo.

 

Rasgando a treva, a chama dum farol.

Por montes, vales, plainos surge o trilho.

O múrmuro trinar do rouxinol

pousou no choro brando do teu filho.

 

E, de montante, o rio rumoreja,

espreguiçando a doce melodia.

P'los campos, o olivedo que esbraceja,

candeia que há-de ser já anuncia.

 

Na calma santa e mítica de luz,

a vida sonha e quer-se imaginário.

O tudo e o nada, o todo se reduz

ao berço do infinito planetário.

 

José-Augusto de Carvalho

In «tempos do verbo», 1990.


publicado por Do-verbo às 03:18
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