Quinta-feira, 02 de Dezembro de 2010

 

Sempre no meu peito,

aroma da flor,

meu amor-perfeito,

meu perfeito amor.

 

E sempre, na cor,

o perfeito encanto

da graça da flor

que encantado canto!

 

Nesta condição

de querer-te tanto,

quero ser o chão

onde, em mim, te planto!

 

Medra no meu chão,

minha flor de encanto,

e o meu coração

envolve em teu manto!

 

E quando eu me for,

que ainda em meu peito,

vicejes, em flor,

meu amor-perfeito!

 

 

José-Augusto de Carvalho

26 de Março de 2009.

Viana * Évora * Portugal



publicado por Do-verbo às 22:53

 

 

 

Parou o tempo dentro do teu peito.

Morreu o mundo no teu coração.

Sem um adeus, gelado, no teu leito,

só o desgosto da separação...

 

Agora, não é tempo de palavras.

É tarde, muito tarde para nós.

E nem eu quero, agora, mais palavras.

E nem tu ouves mais a minha voz.

 

Tentei amar-te como tu me amaste.

Na perda é que sabemos o vazio

que fica quando já não há mais nada...

 

Perdida flor suspensa de hirta haste,

baloiça na ternura do rocio

da tua derradeira caminhada...

 

 

José-Augusto de Carvalho

17 de Dezembro de 2004.

Viana * Évora * Portugal



publicado por Do-verbo às 22:40

 

 

Ah, assim como respiro,

eu vivo este movimento!

E, sem dar por nada, giro

no azul deste firmamento...

 

Como lesto rodopio,

em constante rotação!

E assim ganho o desafio

ao meu saudoso pião!

 

Porque a inércia não existe

aqui nos confins do tudo,

a memória em mim persiste

do meu pião de miudo.

 

Meu velho pião de azinho,

tu, que desde a minha infância,

vens me ensinando um caminho

de vertigem e distância!

 

Nesta instante rotação

de destino e desafio,

somos o mesmo pião

deslumbrando o rodopio...

 

 

José-Augusto de Carvalho

20  de Julho de 2008.

Viana * Évora * Portugal



publicado por Do-verbo às 22:37

[Noticia en 4 idiomas] La censura jordana acusa al gran poeta Ibrahim Nasrallah de haberse atrevido a tratar un tema tabú:

Ofender al Estado jordano y las fuerzas armadas, de levantar conflictos...
 

Versos lejanos

 

                                                   Para Ibrahim Nasrallah


Hay alas de libertad

con penas de terciopelo

y sangre de soledad

en los azules del cielo.


Viejos miedos sín edad,

asombros malos del vuelo.

No matarán la verdad

que, herida, irrumpe del suelo!


Mis ojos miran las flores

que nacen en tu jardín,

en una alba de colores.
 

Ay, el viento es un clarín,

anuncio de los albores

de mañanas de carmín...

 

José-Augusto de Carvalho
Lisboa, 6 de Julio de 2006.

 


                   *

 

 

Poetas




                      
                                                           Para José-Augusto de Carvalho


 


En esa ciudad buena y distante
 

En un patio colmado de hierba
 

Todas las cosas cantan
 

Y todos bailan
 

Él dijo: Anda e invita a bailar  a esa bella muchacha
 

Yo era tímido
 

Él dijo: si los poetas pierden
 

El mundo no ganará

 


Ibrahim Nasrallah

15.Julio. 2006

 


publicado por Do-verbo às 19:26

(Israel, 21 de Junho de 2008)

 

As pétalas da flor que Junho desfolhou,

cobriram de amargura as terras de Israel.

Nas margens do Mar Morto, a sombra desenhou,

com lágrimas de sal, um cálice de fel.

 

Nas áleas do Jardim, perene, o mito ateia

a chama que nos chama, em labaredas de ouro.

E a flor, estreme e bela, em seu candor, passeia,

na brisa do deserto, o seu cabelo louro.

 

À Vida, que não quis que a flor emurchecesse,

vergada pelo tempo exausto da anciania,

escrevo, neste adeus, os versos da tristeza.

 

Se mais um outro dia ainda amanhecesse,

serias sempre tu, em flor-policromia,

o alor da sedução do sonho e da Beleza.

 

 

José-Augusto de Carvalho

23 de Junho de 2008.

Viana * Évora * Portugal



publicado por Do-verbo às 19:18

 

No te dieron el derecho de coger amapolas

en todos los caminos de tu tierra.

 

Para ellos,

el derecho que querias de vivir en paz

era el peligro de la luz sobre las tinieblas...

 

Ay, las tinieblas hijas de la muerte

y amantes de todos los asesinos!

 

Ya no llueve en Santiago!

El cielo ha secado todo su llanto!

Y los ecos de tus canciones se han perdido

en las alas heridas del cóndor

subyugado por los bandoleros.

 

 

José-Augusto de Carvalho

9.12.2007

Viana * Évora * Portugal



publicado por Do-verbo às 19:11

 

 

 

Hoje, chove no meu coração.

 

 

Uma chuva de lágrimas frias.

 

 

Com seis tábuas se faz um caixão

 

 

e, com flores, as horas vazias.

 

 

Para além da partida, serás,

 

 

na saudade, a presença constante.

 

 

Que tu ficas, ainda que vás

 

 

para longe do adeus que te cante!

 

 

Não há luz, não há cor, não há trevas

 

 

no vazio sofrido que levas...

 

 

Só o frio gelado do fim.

 

 

E eu, aqui, a deixar-te sozinho,

 

 

neste término do teu caminho,

 

 

esquecido de tudo e de mim.

 

 

 

José-Augusto de Carvalho

7 de Janeiro de 2006

Viana * Évora * Portugal



publicado por Do-verbo às 19:04

 

 

É quando as sombras descem sobre a luz

e a vida já não pode ser mais nada

que, em ânsia de infinito, tremeluz

a paz, por dor e lágrimas velada.

 

Aqui, por entre flores de saudade,

sublimo a perfumada nostalgia

do sonho que se quer eternidade,

em arrebois de amor e poesia.

 

De ti, ficou, em nós, perene, o canto,

a parte que te coube da beleza

p'lo Céu doada a todos os poetas.

 

Em ti, ficou, de nós, doído, o pranto

que levas, por alturas de incerteza,

nas tuas asas livres e inquietas.

 

 

José-Augusto de Carvalho

24 de Fevereiro de 2006.

Viana * Évora* Portugal



publicado por Do-verbo às 18:58

 

 

Cuando los asesinos mataron al poeta,

el reloj señalaba la hora cero.

 

El poeta se muere siempre en la hora cero.

 

Cuando el tiempo queda yerto

y las palabras rechazan la melodía de la ternura

el poema es imposible.

 

Cuando el reloj señala la hora cero,

el poema es imposible.

 

Cuando el poema es imposible

ni paraíso ni infierno pueden existir.

 

Cuando el poema es impossible,

la sangre llora la nada.

 

La sangre del poeta asesinado lloró la nada

en mi corazón.

 

 

José-Augusto de Carvalho

Lisboa, 24 enero 2006.



publicado por Do-verbo às 18:26

 

 

 

Os deuses e os demónios querem sangue!

No mundo, ergueram, ímpios, os altares.

Um homem justo mais tombou exangue...

Irmão, mais um sinal p'ra meditares!

 

O tempo da discórdia trouxe as iras.

Quem nega, agora, a lei da causa-efeito?

Arautos de vergonhas e mentiras,

com agressões e bombas de ódio ao peito!

 

E as vítimas são sempre os inocentes,

as dores de um calvário que não cessa,

o vil metal das trocas indecentes.

 

Irmão, Amigo, Exemplo, tão depressa

te privam do amor das tuas gentes!

Contigo morre mais uma promessa.

 

José-Augusto de Carvalho

Viana * Évora * Portugal



publicado por Do-verbo às 18:18

 

 

Tú miraste el carmín de las mañanas,

encendido en los pechos libertarios

de los hombres cargados de futuro!

 

Y viniste,

por los rumbos abiertos por la sangre,

en las noches oscuras

de mujeres sin hombres,

de los hijos del miedo,

de los viejos que estan de màs para tener esperanzas.

 

Y viniste,

con tu sed adyacente, a sumergirte

altas olas

de la mar de ansiedad y de peligros.

 

Y viniste,

con la luz de la dádiva,

y caíste

en la tierra lejana que quisiste tuya.

 

 

José-Augusto de Carvalho

22 de Dezembro de 2007.

Viana do Alentejo * Évora * Portugal



publicado por Do-verbo às 18:06
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