Sábado, 27 de Novembro de 2010

  

 

Pão nosso que estás na mesa,

saciando a nossa fome...

Bendito seja o teu nome

de promessa e de certeza!

 

Pão nosso sempre amassado

com o suor que te damos,

que nunca mais pelos amos

sejas pão amargurado.

 

Vem até nós, por direito,

e que, como um mandamento,

sejas o sagrado alento

que brota da terra-leito!

 

Vem até nós, pão liberto,

que a Terra comum nos dá!

Que sejas como o maná

que já foi pão no deserto!...

 

 

José-Augusto de Carvalho

7 de Julho de 2007.

Viana do Alentejo * Évora * Portugal



publicado por Do-verbo às 23:56

 

 

No lançamento do livro «O meu cancioneiro»

 

Cine-Teatro de Viana do Alentejo, 19 de Setembro de 2009.

 

 

 

 

Boa noite!

  

É um privilégio estar neste Cine-Teatro, que vi erguer na já distante década de quarenta do século XX.

 

Aqui me traz a solidária manifestação de apoio do Município à edição do livro «O meu cancioneiro».

 

A este gesto de solidariedade se associaram a Escola E.B. 2,3/S. Dr. Isidoro de Sousa, a CulArtes, a Oficina da Criança e todos os presentes para assinalarem o lançamento de um modesto livro de poemas que a «Temas Originais» editou e o Professor António João Valério e a Poetisa Conceição Paulino se predispuseram muito amavelmente a apresentar.

 

Às entidades aqui representadas, aos editores, aos apresentadores do livro e a todos os presentes aqui publicamente manifesto a minha gratidão.

 

Quanto ao livro, ele aqui está, disponível. Dos seus méritos e deméritos, o Juízo do Tempo decidirá, sempre com verdade, como convém. E a determinação de escrevê-lo estará justificada na pequena introdução que também redigi.

 

Como reiteradamente tenho afirmado, nada de relevante há a dizer de mim. Desempenhei, o melhor que pude e soube, a minha profissão.

 

Paralelamente, sempre escrevendo alguns versos, numa persistência que prossegue, agora, na situação de aposentado. Ontem como hoje, persigo a Poesia. Sei que é um esforço titânico, pois ela, a Poesia, apresenta-se-me como o horizonte --- sempre à minha frente, mas nunca ao meu alcance. Que fique o esforço, já que o objectivo é demasiado!

 

Sem exibicionismo, apenas animado pelo espírito de uma cidadania interventora, escrevi dois textos expressamente para este momento, nas músicas tão conhecidas de “O sole mio” e “Torna a Surriento”, duas canções napolitanas mundialmente apreciadas.

 

Estes textos relevam a visão da sociedade que percebi na adolescência, que amadureci na idade adulta, que me acalenta na fase derradeira da vida, sempre com a mesma esperança de que, um dia, o ser humano saberá ser digno de si mesmo, num abraço fraternal do tamanho do mundo.

 

Até sempre!

 

Bem-hajam

 

Viana, 19/9/2009.



publicado por Do-verbo às 22:59

 

 

Ser decente é a base.

É a partir daqui,

desta básica frase,

que se escolhe a jornada.

Esta, livre escolhi.

Ainda que percalço ou dúvida te atrase,

à chegada,

esperarei por ti.

 

 

José-Augusto de Carvalho

6 de Setembro de 2001.

Viana*Évora*Portugal



publicado por Do-verbo às 22:45

 

 

  

 

 

O verbo quero lúcido e plural.

Diversos, no fulgor, os astros

são o singular do manto sideral:

o caos da nossa humana condição.

 

Provimos de fogueira agora extinta.

Ficaram os lampejos dos poetas,

forçando as portas, ao devir secretas,

por mitos vários de irisada tinta.

 

Os mitos dos poetas são a rima,

o verso entretecido na cadência,

mesclada de emoção e melodia...

 

Os mitos que o poeta legitima,

são hinos de louvor à existência,

num êxtase de luz que se extasia.

 

 

José-Augusto de Carvalho

Lisboa, 7.9.2004



publicado por Do-verbo às 19:10
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