Segunda-feira, 21 de Junho de 2010

 

O verbo quero lúcido e plural.
Diversos no fulgor, os astros são
o singular do manto sideral:
o caos da nossa humana condição.

Provimos de fogueira agora extinta.
Ficaram os lampejos dos poetas,
forçando as portas, ao devir secretas,
por mitos vários de irisada tinta.

Os mitos dos poetas são a rima,
o verso entretecido na cadência,
mesclada de emoção e melodia...

Os mitos que o poeta legitima,
são hinos de louvor à existência,
num êxtase de luz que se extasia.

 


José-Augusto de Carvalho
Lisboa, 7.9.2004



publicado por Do-verbo às 23:12
Segunda-feira, 21 de Junho de 2010

 

 

 

Adil, do árabe atíl, terreno inculto.

Da antiga Viana de Fochem, depois, absurdamente, a-par-de-Alvito e, agora, redundantemente, do Alentejo, retomamos a divulgação deste espaço, que terá a assiduidade possível.

Daqui, donde se diz que o seu povo é de muitos mouros, alguns judeus e o resto sabe-o Deus.

Adil, terreno inculto. Tal qual, porque quem pode não quer e quem quer não pode.

Terra de senhores de abastança e que já foi de pão amassado com lágrimas e desespero.

Terra que viu craveiros a florir, em abril, e a secar, em novembro.

Terra que espera.

 

 

José-Augusto de Carvalho

Viana * Évora * Portugal


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publicado por Do-verbo às 23:06
Segunda-feira, 21 de Junho de 2010

Homenagem a José Saramago

 

 

N' «A jangada de pedra» partiste.

Tenebroso é o mar, nós sabemos, 

mas, à vela ou à força de remos,

sempre chega quem nunca desiste.

 

«Levantados do chão», nós seremos

a certeza de nós que entreviste

mais além do «Mostrengo» que existe,

porque mais Cabos Não dobraremos.

 

Na memória dos nossos avós,

vem o sonho que apenas se faz

quando um homem tem pão e tem voz.

 

Chegaremos. E tu estarás,

sorridente, no meio de nós,

nesse cais de verdade e de paz.

 

 

 

José-Augusto de Carvalho

20 de Junho de 2010.

Viana*Évora*Portugal



publicado por Do-verbo às 14:48
Sexta-feira, 18 de Junho de 2010

 

S A R A MA G O
(18.06.10)

 


 

 

“O mundo existe para terminar num livro” 
Mallarmé 
Morreu Saramago 
Em seu mundo nunca dantes navegado 
No entorno de lágrimas de Portugal 
E muito além do chão letral dos lusonautas 
Numa intermitência telúrica 
Morreu Saramago 
O criador de um verbo alumbrado 
Sua literatura esplende, arrebata 
Num mundo globalizado – e insano 
Muito além de seu tempo 
Morreu Saramago 
Entre seu palavrear de luz e sangue 
Densos Tejos que ainda rebrilham 
Em lágrimas que verteram seu espírito 
Procissão de excluídos 
Morreu Saramago 
Que nos viçou em língua mátria 
A sociedade sórdida: e o que somos 
Ovelhas perdidas de uma manada 
Contra a qual lutava... 
Morreu Saramago 
O ser humano historial, o homem bandeira 
Que na mão esquerda ainda tem uma roseira 
Que dá flores rubras a vida inteira 
Levantado do chão, nos ares 
AINDA VIVE SARAMAGO!
Silas Correa Leite, 
Santa Itararé das Letras, 
São Paulo, Brasil 
E-mail:


publicado por Do-verbo às 15:43
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