Segunda-feira, 21 de Junho de 2010




Neste poço há uma nora
de alcatruzes de saudade,
onde ainda o tempo chora
o candor de Sherazade...

A princesa muçulmana
sobrevive enfeitiçada,
nestas terras de Viana,
numa nora abandonada...

Numa nora abandonada,
nestas terras de Viana,
sobrevive enfeitiçada
a princesa muçulmana...

É quando o vento suão
até à sombra assa canas,
que dói mais a solidão
nas terras alentejanas

 
José-Augusto de Carvalho
6 de Abril de 2006.
Viana do Alentejo * Évora * Portugal


publicado por Do-verbo às 23:55

 

Já estava no meu posto

quando o dia mal rompia…

E, o patrão, a contragosto,

ao sol-pôr, findava o dia…

 

Para além de água e de pão,

tive sede e tive fome,

que também se bebe e come

quer Justeza, quer Razão…

 

De Justeza e de Razão,

que também se bebe e come,

tive sede e tive fome

e não só de água e de pão…

 

Engelhado de cansaço,

hoje, sou esta memória…

Se na vida apenas passo,

que não passe a minha história…

 

 

 

José-Augusto de Carvalho

4 de Abril de 2006.

Viana do Alentejo * Évora * Portugal



publicado por Do-verbo às 23:49

 

Na minha terra,  já rareia o trigo.
Ermos os campos, dói a solidão.
Até o duro pão que, em sopas migo,
estranho, sabe à dor da emigração.
 
Oh, minha terra
de sol e pão,
quem nos desterra
do pátrio chão?
Oh, terra
de sol e pão,
quem nos desterra
do pátrio chão?
 
Quando a saudade queima no meu peito,
os cravos secos gritam na memória!
Sinto, doendo, o sonho já desfeito.
Quem disse não ao rumo da História? 
 
Oh, minha terra
de sol e pão,
quem nos desterra
do pátrio chão?

Oh, terra
de sol e pão,
quem nos desterra
do pátrio chão?
 
 

 

José-Augusto de Carvalho
Julho de 2009.

Na música da canção napolitana «O sole mio».



publicado por Do-verbo às 23:31

 

 

Todo o tempo que porfia

sempre um novo tempo gera,

num afã que se recria

de perene primavera.

 

Porque a inércia não existe,

estar vivo é movimento,

na viagem que persiste,

a favor e contra o vento.

 

Vamos todos, sem demora,

neste não de ser refém

duma Torre da Má Hora

donde nunca vem ninguém!

 

Vamos, sem demora,

no tempo que é de nós,

vamos, é a hora

de termos voz!

 

 

José-Augusto de Carvalho

5 de Julho de 2009.

Na música da canção napolitana «Torna a Surriento»



publicado por Do-verbo às 23:26

 

 

No lançamento do livro «O meu cancioneiro»

 

Cine-Teatro de Viana do Alentejo, 19 de Setembro de 2009.

 

 

Boa noite!

  

É um privilégio estar neste Cine-Teatro, que vi erguer na já distante década de quarenta do século XX.

Aqui me traz a solidária manifestação de apoio do Município à edição do livro «O meu cancioneiro».

A este gesto de solidariedade se associaram a Escola E.B. 2,3/S. Dr. Isidoro de Sousa, a CulArtes, a Oficina da Criança e todos os presentes para assinalarem o lançamento de um modesto livro de poemas que a «Temas Originais» editou e o Professor António João Valério e a Poetisa Conceição Paulino se predispuseram muito amavelmente a apresentar.

Às entidades aqui representadas, aos editores, aos apresentadores do livro e a todos os presentes aqui publicamente manifesto a minha gratidão.

Quanto ao livro, ele aqui está, disponível. Dos seus méritos e deméritos, o Juízo do Tempo decidirá, sempre com verdade, como convém. E a determinação de escrevê-lo estará justificada na pequena introdução que também redigi.

Como reiteradamente tenho afirmado, nada de relevante há a dizer de mim. Desempenhei, o melhor que pude e soube, a minha profissão.

Paralelamente, sempre escrevendo alguns versos, numa persistência que prossegue, agora, na situação de aposentado. Ontem como hoje, persigo a Poesia. Sei que é um esforço titânico, pois ela, a Poesia, se me apresenta como o horizonte --- sempre à minha frente, mas nunca ao meu alcance. Que fique o esforço, já que o objectivo é demasiado!

Sem exibicionismo, apenas animado pelo espírito de uma cidadania interventora, escrevi dois textos expressamente para este momento, nas músicas tão conhecidas de “O sole mio” e “Torna a Surriento”, duas canções napolitanas mundialmente apreciadas.

Estes textos relevam a visão da sociedade que percebi na adolescência, que amadureci na idade adulta, que me acalenta na fase derradeira da vida, sempre com a mesma esperança de que, um dia, o ser humano saberá ser digno de si mesmo, num abraço fraternal do tamanho do mundo.

Até sempre!

Bem-hajam! 

 

José-Augusto de Carvalho

Viana, 19-9-2009.



publicado por Do-verbo às 23:17

 

O verbo quero lúcido e plural.
Diversos no fulgor, os astros são
o singular do manto sideral:
o caos da nossa humana condição.

Provimos de fogueira agora extinta.
Ficaram os lampejos dos poetas,
forçando as portas, ao devir secretas,
por mitos vários de irisada tinta.

Os mitos dos poetas são a rima,
o verso entretecido na cadência,
mesclada de emoção e melodia...

Os mitos que o poeta legitima,
são hinos de louvor à existência,
num êxtase de luz que se extasia.

 


José-Augusto de Carvalho
Lisboa, 7.9.2004



publicado por Do-verbo às 23:12

 

 

 

Adil, do árabe atíl, terreno inculto.

Da antiga Viana de Fochem, depois, absurdamente, a-par-de-Alvito e, agora, redundantemente, do Alentejo, retomamos a divulgação deste espaço, que terá a assiduidade possível.

Daqui, donde se diz que o seu povo é de muitos mouros, alguns judeus e o resto sabe-o Deus.

Adil, terreno inculto. Tal qual, porque quem pode não quer e quem quer não pode.

Terra de senhores de abastança e que já foi de pão amassado com lágrimas e desespero.

Terra que viu craveiros a florir, em abril, e a secar, em novembro.

Terra que espera.

 

 

José-Augusto de Carvalho

Viana * Évora * Portugal


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publicado por Do-verbo às 23:06

Homenagem a José Saramago

 

 

N' «A jangada de pedra» partiste.

Tenebroso é o mar, nós sabemos, 

mas, à vela ou à força de remos,

sempre chega quem nunca desiste.

 

«Levantados do chão», nós seremos

a certeza de nós que entreviste

mais além do «Mostrengo» que existe,

porque mais Cabos Não dobraremos.

 

Na memória dos nossos avós,

vem o sonho que apenas se faz

quando um homem tem pão e tem voz.

 

Chegaremos. E tu estarás,

sorridente, no meio de nós,

nesse cais de verdade e de paz.

 

 

 

José-Augusto de Carvalho

20 de Junho de 2010.

Viana*Évora*Portugal



publicado por Do-verbo às 14:48
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