Sábado, 28 de Novembro de 2009

Nasci e vivi a meninice e a adolescência em Viana do Alentejo, uma vila de três mil habitantes, sede de munícipio, ao qual pertencem as vilas de Alcáçovas e Aguiar. Como dizia uma canção muito em voga nesse tempo, situando as populações das povoações rurais de Portugal, aqui todos são primos e primas. Pois é, naquele tempo, o mundo era pequeno!
O Poder Político da época afirmava: Portugal é um País Rural !
Quem conhecesse minimamente a geografia física do país, sabia que o Poder Político mentia. O país arrastava-se numa agricultura de subsistência, resignado. Recordo-me de que uns anos depois do final da II Grande Guerra, cerca de 1950, um quilograma de trigo colhido em Portugal era vendido ao público por três escudos e sessenta centavos e que se dizia que o Canadá colocaria trigo em Portugal por quarenta centavos cada quilograma.
Para situar os preços que indico, esclareço que um dólar equivalia a mais ou menos vinte e cinco escudos.
É fácil concluir que não havia interesse do Poder Político em libertar o País da miséria, do analfabetismo, da palavra de ordem do fascismo imperante: Tudo pela Nação/ Nada contra a Nação!
Um pouco mais tarde, no início da década de sessenta, quando os povos das ex-colónias se decidiram pela sua emancipação, recorrendo à luta armada, o Poder Político enfrentou o mundo hostil (leia-se também ONU) com estoutra palavra de ordem: Estamos orgulhosamente sós!
Nesta mesma época, um incidente ensombrou as relações diplomáticas com o Brasil. Era presidente Jânio Quadros. O transatlântico português Santa Maria foi tomado e o chefe da rebelião, o Capitão Henrique Galvão, alterou o nome do navio para Santa Liberdade e ordenou ao comandante que rumasse à costa americana. Após negociações, esta acção, destinada a alertar o mundo, terminou com o Santa Maria aportando ao Recife. Os insurrectos ficaram no Brasil; o Santa Maria regressou a Portugal, são e salvo, como é adequado dizer-se nestas circunstâncias.
Na esmagadora maioria das povoações, havia apenas o ensino primário elementar, correspondente a quatro anos de escolaridade. O patamar de ensino imediato eram as Escolas Comerciais e Industriais e o Liceu. Apenas as capitais de Distrito dispunham deste ensino. Havia ensino privado, mas quem poderia pagar? Havia três Universidades: Lisboa, Porto e Coimbra.
Enfim, e socorrendo-me de Luís Vaz de Camões, aqui fica uma pálida ideia do que era a ditosa pátria, minha amada!

 
 

José-Augusto de Carvalho
4 de Junho de 2006.
Viana do Alentejo*Évora*Portugal
Migrando para este novo espaço.


publicado por Do-verbo às 17:29

Com natural satisfação, publicamente agradeço ao Senhor Jorge Castelo Branco a edição do livro «Da humana condição».

A edium editores tem o prazer de anunciar o lançamento previsto para Março da obra poética intitulada “Da Humana Condição” do poeta alentejano José-Augusto de Carvalho. O autor, com seis obras já publicadas, apresenta-nos este título revertido e inspirado da obra de André Malraux “A Condição Humana”; José-Augusto de Carvalho recupera os paradigmas da evolução humana, e discorre sobre a moralidade, a política, o conflito, num registo quase sempre na 1.ª pessoa, um incarnado resistente, desagrilhoadas as correntes que se soltam em palavras que se ordenam em destinos.
Xavier Zarco, na nota breve de abertura, sublinha a propósito: “José-Augusto de Carvalho apresenta-nos, em todo o seu esplendor, a humana condição, que quantas vezes fazemos de conta não ver, mas que existe e invade, enquanto jantamos e lançamos comentários que, amanhã, poucos deles restarão na nossa memória, porque a vida é feita no desespero de cumprir a hora, exagerando, ou talvez não, de cumprir o segundo.Este tomo não deve, não pode passar indiferente. É Poesia no seu esplendor porque habita ao nosso lado e não devemos, não podemos manter o olhar cerrado. Isto, claro, se desejarmos, de facto, um mundo melhor. Se não for para nós, que seja para aqueles que nós gerámos”.

 

Migrando para este novo espaço.


publicado por Do-verbo às 15:42

 
O lançamento deste livro ocorreu em 29 de Março de 2008. Em Alvito, na Biblioteca Municipal, de tarde; em Viana, no Salão Nobre da Junta de Freguesia, à noite.


publicado por Do-verbo às 15:19

 
O lançamento deste livro ocorreu na tarde do dia 27 de Junho de 2009, em Lisboa, na Casa do Alentejo.


publicado por Do-verbo às 15:16



O lançamento deste livro ocorreu na noite de 19 de Setembro de 2009, no Cine-Teatro de Viana do Alentejo.



publicado por Do-verbo às 15:09
 

 

 «(…) pero como dijo Dios,

cruzándose de piernas:

veo que he creado muchos poetas

pero no mucha poesía.»
 
 

Charles Bukowski


publicado por Do-verbo às 14:59

Era uma vez uma cobra que começou a perseguir um pirilampo. Ele fugia com medo da feroz predadora, mas a cobra não desistia. Um dia, já sem forças, o pirilampo parou e disse à cobra:


— Posso fazer três perguntas?
— Podes. Não costumo abrir esse precedente, mas já que te vou comer, podes perguntar.
— Pertenço à tua cadeia alimentar?
— Não.
— Fiz-te algum mal?
— Não.
— Então porque é que me queres comer?
— Porque não suporto ver-te brilhar!

 



E é assim …. que, diariamente, tropeçamos com cobras.

Nota: Não conheço o autor do texto acima, mas ele não se importará, quero crer, que registe aqui a sua criatividade.
Migrando para este novo espaço.


publicado por Do-verbo às 14:42
Registo de mim através de textos em verso e prosa.
mais sobre mim
blogs SAPO
Novembro 2009
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
10
11
12
13
14

15
16
17
18
19
20
21

22
25



pesquisar neste blog
 
subscrever feeds