Terça-feira, 24 de Novembro de 2009
 
Para Alberto Peyrano
 

Ay! aquí, clausurado
en las cuatro paredes
erguidas por mis manos
con inercia y renuncia,
yo soy un hombre solo.
 
Ay! río de mi sed
donde estás?… donde estás?…
que me dejas asi
tan lejos de la mar?
 
Por qué, cielo, no llueve
y el agua desembaraza
mis raíces de este suelo
de soledad y renuncia?
 
Para que también me vaya
hasta la mar donde están
los peces y los barcos
por los que Federico murió…


 

 
José-Augusto de Carvalho
1.2.2008, Viana*Évora*Portugal
Do livro em construção: «AL ANOCHECER»Migrando para este novo espaço

 

 


publicado por Do-verbo às 14:59
 
 
Hoy,
no hay nubes en el cielo
y los aullidos del viento
se han perdido a lo lejos…

Hoy,
en los caminos vacíos,
ya se borraron las huellas
de caminares antiguos…

Hoy,
tan sólo los juglares
nos traen las profecías
de otros mundos más allá…
 
 

José-Augusto de Carvalho
4.2.2008
Viana*Évora*Portugal
Do livro em construção «AL ANOCHECER»Migrando para este novo espaço.


publicado por Do-verbo às 14:53

 

 

Caminheiro das rotas da vida,

guiado pelas estrelas ou à deriva nas horas de céu enublado,

bebi água nas fontes silvestres,

comi esperanças nas bermas dos caminhos evadidos,

dormi à sombra das esperas, coberto por mantas de angústia.

Encontrei portas fechadas em todas as direcções.

Vi sentinelas alerta nas fortalezas do Tempo.

Chorei as almas penadas da mendicância das preces,

sepultei as ilusões nas valas comuns do esquecimento,

colhi o desprezo astuto nos ramos da ostentação.

Vi tudo o que era feio nas rotas desta vida.

E vi como é possível aninhar as víboras geladas no calor do peito…

as víboras que insistem em envenenar os caminheiros das rotas da vida.

 

José-Augusto de Carvalho

24.11.2005, Viana do Alentejo * Évora * Portugal

 

***

 

Notas de viaje - 1

 

 

© José-Augusto de Carvalho

© Tradução: Alberto Peyrano

 

Caminante de las rutas de la vida,

guiado por las estrellas o a la deriva en horas de nublado cielo,

bebí agua de las agrestes fuentes,

comí esperanzas en los terraplenes de los caminos evadidos,

dormí a la sombra de las esperas, cubierto con las mantas de la angustia.

Encontré puertas cerradas en todas direcciones.

Vi centinelas alertas en las fortalezas del Tiempo.

Lloré las almas en pena de la mendicidad de las oraciones,

sepulté las ilusiones en las acequias comunes del olvido,

coseché el desprecio astuto en las ramas de la ostentación.

Vi todo lo que era feo en las rutas de esta vida.

Y vi cómo es posible anidar a las víboras heladas en el calor del pecho…

las víboras que insisten en envenenar a los caminantes de las rutas de la vida.

 

24.11.2005, Buenos Aires * Argentina


publicado por Do-verbo às 14:40
 
Mecânico é o movimento dos meus passos.
Rasguei todas as estradas
e nem sabia que fosse a rosa dos ventos!…
Nem sempre se conhece o que se procura…
O caminho é o desafio só porque é caminho.
O horizonte é a chama que chama
e desalenta a parança
do anquilosamento imóvel da pedra cravada no chão.
Caminho e no meu caminhar
demonstro que a inércia não existe.
Caminho e demonstro
que sou, nesta interminável caminhada,
o movimento da laranja azul que gira, gira, gira,
num rodopio de dança embriagada.
 
José-Augusto de Carvalho
27.11.2005, Viana do Alentejo * Évora * Portugal
 
 
***
 
 
Notas de viaje - 2
 
© José-Augusto de Carvalho
© Tradução: Alberto Peyrano

 


Mecánico es el movimiento de mis pasos.
Atravesé todos los caminos
sin saber lo que era la rosa de los vientos!…
No siempre se conoce lo que se busca…
El camino es desafío sólo porque es camino.
El horizonte es la luz que convoca
y desalienta la demora
de la inerte parálisis de la piedra clavada en el suelo.
Camino, y en mi caminar,
demuestro que la inercia no existe.
Camino y demuestro
que soy, en esta interminable caminata,
el movimiento de la naranja azul que gira, gira, gira,
en un remolino de embriagada danza.

30.11.2005
Buenos Aires * Argentina


publicado por Do-verbo às 14:19
Na Guerra (dita) Civil de Espanha - Miliciano

 

Ensaiava os primeiros passos, incertos e perplexos.
Era o começo da jornada.
Na berma do caminho, jazia, sufocada, a Liberdade.
Ao longe, na Espanha ensanguentada,
Guernica esperava pelo talento de Pablo Picasso…
Federico tombava, assassinado,
porque Granada tem dois rios:
um de pranto
e um de sangue...
Dolores gritava: No Pasarán!
Mas eles passaram e a Espanha ficou viúva.
Don Ramón andou comigo ao colo.
Aqui encontrou guarida e pão sem sabor a sangue.
Don Ramón, perdoa aquele menino
que não guardou na memória
a imagem do teu rosto macerado.
Obrigado, Don Ramón, porque gravaste em meu peito,
com tinta de lágrimas,
o coração ferido da tua amada Espanha.
 
José-Augusto de Carvalho
14 de Dezembro de 2005.
Viana do Alentejo * Évora * Portugal

***
Don Ramón

Ensayaba los primeros pasos, inciertos e perplejos.

Era el comienzo de la jornada.
Nn el borde del camino, yacía, sufocada, la libertad.
A lo lejos, en la España ensangrentada,
Guernica esperaba el talendo de Pablo Picasso...
Federico se desplomaba, asesinado,
porque Granada tiene dos rios:
uno de llanto
e otro de sangre.
Dolores gritaba: ¡No pasarán!
Pero ellos pasaron y España se quedó viuda.
Don Ramón ando conmigo en sus brazos.
Aqui encontró guarida y pan sin sabor a sangre.
Don Ramón, perdona a aquel niño
que no guardó en la memoria
la imagen de tu rostro macerado.
Gracias, Don Ramón, porque grabaste en mi pecho,
con tinta de lágrimas,
el corazón herido de tu amada España.






Francisco Javier Fontalva Chica.
Málaga, España, 11. Abril. 2012


publicado por Do-verbo às 14:02
 

Eu canto as horas amargas
das cargas e das descargas
das barcas de arrojo e pinho…
Eu canto os longes das rotas
abertas pelas gaivotas
com asas de níveo linho…
 

Eu canto as horas sombrias
de medos e de agonias
no mais além da tormenta…
Eu canto as horas de luto,
naufrágios, febre, escorbuto,
sabor de cravo e pimenta…
 

Eu canto no Cabo Não
o sim de passar ou não,
mas nunca o retroceder…
Eu canto os Cabos da Dor!
Gil Eanes — Bojador,
tormentas de estarrecer…
 

Eu canto as Áfricas virgens,
feridas desde as origens
de mágoas e predadores…
Eu canto as Índias da História,
cobiças, dramas e glória
de incenso e de roxas cores…
 

Eu canto os áureos Brasis,
a cana em negro matiz
de açúcar de acres sabores…
Eu canto a nesga europeia
do Poeta e da Epopeia
do Fado das nossas dores…
 
 

José-Augusto de Carvalho

Viana * Évora * Portugal
 

Migrando para este novo espaço.


publicado por Do-verbo às 13:54
Torre de Menagem do castelo de Beja
 
 
Do cimo de São Vicente,
vejo o castelo de Beja,
quando um sol de estio ardente
ao inferno faz inveja…

Meus olhos mergulham fundo
na lonjura que me ganha!
Não há fronteiras no mundo!
Ninguém vive em terra estranha!

Nem pequenez nem grandeza,
a dimensão verdadeira
que sopesa com firmeza
frágil mão duma ceifeira.
 

José-Augusto de Carvalho
Viana * Évora * Portugal
 
Migrado para este novo espaço.


publicado por Do-verbo às 13:44
 

 

 

1.
No princípio, o verbo quis,
em conjugações obscuras,
ser grão e depois raiz
do chão projectando alturas…
 
Desnudo, no paraíso,
o par de divina essência
cantava, no tom preciso,
o elogio da indolência.

 

 
Do seu cume imperativo 
e projectando o perfil 
pelas lonjuras de anil, 
deus olhava o par cativo. 
 
E, certo da tentação, 
provocou a transgressão. 
 

 

2. 
Expulso do paraíso 
no primeiro alvorecer, 
era ainda um improviso 
a vida que houve de ser. 
 
Adão pesou, pensativo, 
o gesto da divindade 
e a condição de ex-cativo, 
encontrada a liberdade. 
 
E naquela antemanhã, 
que mal podemos supor, 
percebeu por que a maçã 
tinha um estranho sabor: 
 
o sabor da inteligência 
acordando a consciência. 
 
 
3. 
Pródiga era a natureza! 
Tudo dava, hospitaleira… 
Viver era uma beleza, 
sem transtorno nem canseira. 
 
Sentia às vezes saudade 
do paraíso perdido… 
Mas fora a sua vontade: 
assim tinha decidido. 
 
Lá, tinha que obedecer, 
ser aplicado no estudo 
e ouvir e não rebater… 
 
A liberdade era assim: 
não se podia ter tudo 
dentro ou fora do jardim… 
 
 
4. 
Sem armas e sem abrigos, 
um ninho nos ramos altos, 
prevenia os sobressaltos 
dos mais diversos perigos. 
 
Nessa arte da construção 
imitou os primos símios, 
que eram astutos e exímios, 
arquitectos de eleição. 
 
Gozando a paz absoluta, 
descobriu ser bom pensar: 
e concluiu que uma gruta 
era o lar a conquistar, 
 
por ser melhor tal intento 
do que viver ao relento. 
 
 
5. 
Um dia, o par decidi 
o que há de mais natural: 
Eva emprenhou e pariu 
o pecado original… 
 
E do seu cálido ninho, 
recendendo a puridade, 
foi descoberto o caminho 
terrestre da humanidade. 
 
E tudo assim sem alarde, 
nem hosanas nem prebendas… 
Não foi cedo nem foi tarde. 
Depois vieram as lendas, 
 
vestindo de cor e rito 
o simbolismo do mito.



 
 
José-Augusto de Carvalho
Viana * Évora * Portugal
 
Migrando para este novo espaço.


publicado por Do-verbo às 11:43
 
 
Não mais o tempo em mim contou as horas.
O tempo-convenção é a medida
dos ritmos, das angústias, das demoras
caindo nas valetas, sem guarida.

O tempo sem medida, o tempo todo,
raiado de matizes de infinito,
acima está da náusea deste lodo,
lá onde o gosto a fel é interdito.

Descer ao tempo ignaro, ao ventre escuro,
de escórias prenhe, é reduzir o ser
ao magma informe e frio de um monturo,
representar a farsa do não-ser…

Meu tempo, que sem portas e sem horas,
em mim, noivado lírio, livre moras…
 

José-Augusto de Carvalho
Viana*Évora*Portugal
 


publicado por Do-verbo às 11:32
 


 

 

 

O tempo que me coube são as horas

marcadas no relógio do teu peito,

exactas, sem angústias nem demoras,

suaves nesse altar de amor perfeito.

 

No tempo, sejam horas ou desoras,

teus braços são o ninho em que me deito,

teus olhos são as rútilas auroras

que inundam de manhãs o nosso leito.

 

São estas horas certas que entreteces,

determinando o tempo singular,

que dão à vida a plena dimensão.

 

Ah, tempo, que de vida me esmaeces!

Consente que os meus anos, no passar,

sublimem este mel no coração.

 

 

José-Augusto de Carvalho

12 de Setembro de 2004.

Viana do Alentejo * Évora * Portugal

 
Migrando para este novo espaço.



publicado por Do-verbo às 11:22

 

 

Parou o tempo dentro do teu peito.

Morreu o mundo no teu coração.

Sem um adeus, gelado, no teu leito,

só o desgosto da separação…

 

Agora, não é tempo de palavras.

É tarde, muito tarde para nós.

E nem eu quero, agora, mais palavras.

E nem tu ouves mais a minha voz.

 

Tentei amar-te como tu me amaste.

Na perda é que sabemos o vazio

que fica quando já não há mais nada…

 

Perdida flor suspensa de hirta haste,

baloiça na ternura do rocio

da tua derradeira caminhada…

 

 

José-Augusto de Carvalho

17 de Dezembro de 2004.

Viana  * Évora * Portugal

 

Migrando para este novo espaço.


publicado por Do-verbo às 11:14
A musa e o poeta, escultura de Rodin
 
 
Poeta, quem és tu, que tanto delicias
a bela poesia, em êxtases extremos?
És tu, Orfeu, a quem nós todos devemos,
que regressaste à vida em cantos de magia?

Eurídice morreu. A barca de Caronte
ao Hades a levou. Deixou-nos o seu mito.
Não queiras mais sofrer. Teu lancinante grito
rasgou a treva e dói nos longes do horizonte.

O teu amor, na dor da perda nos perdeu.
O desencontro impôs só os caminhos tristes.
Não mais, depois de ti, o dia amanheceu.

Resigna-te ao teu fim. Orfeu, por que resistes
ao frio do não-ser na paz que te acolheu?
Por ti, sofremos nós! Em todos nós existes!
 

José-Augusto de Carvalho
Setembro de 2002.
Viana * Évora * Portugal
 
Migrando para este novo espaço.


publicado por Do-verbo às 11:00
 
                                                                                            
   Para o Poeta Daniel Cristal
 

Vestiram-te de pedra, exímios, os cinzéis.
Assim se prolongou a carne, o sangue, a chama…
A plástica escultura, emoldurando anéis
Em torno do que foi, saudade agora e fama.
 

Saudade que terás deixado em quem te amou.
A gratidão plural prestando-te homenagem.
A força no poder que em pedra te exaltou.
Perpétua veleidade em gélida miragem.
 
 
Do meu amor não tenho o rosto empedernido…
Nenhum cinzel talhou as curvas do seu rosto…
Nem fama nem anéis, só um ferido olvido
 
 
de lágrimas e pedra esculpe o meu desgosto.
Não grito nem protesto, encontro a diferença
dos homens ante o fim. Somente a diferença…
 
 
 

José-Augusto de Carvalho
4 de Novembro de 2002.
Porto Alegre * Rio Grande do Sul * Brasil.
 
 
Migrando para este novo espaço.


publicado por Do-verbo às 09:05
 
 
 
Os corpos insepultos e os abutres…
Carnificina e horror de que te nutres!

Na escuridão do medo, ecoam gritos.
No cimo, errantes, tremeluzem astros.
No chão doído, informes, os detritos,
anúncio e precedência doutros rastros.

No céu, se evola, em mancha nebulosa,
suspensa sobre a lei da gravidade,
o magma, que na via dolorosa,
expia condição e claridade.

No circo, a turba exalta, em sangue, o trono.
César exibe a túnica escarlate.
Na arena, em agonia e abandono,
as levas condenadas ao abate.
 

José-Augusto de Carvalho
Viana * Évora * Portugal
 

Migrando para este novo espaço


publicado por Do-verbo às 08:57
 
 
 
                                                              Para Vasco Massapina
 
 
O espaço é o desafio.
A mão, trémula e suspensa,
é, no gesto, a forma densa
a esventrar o vazio.
Hirtos e determinados,
o esquadro, a régua, o compasso,
ansiando pelo traço
de esboços adivinhados.
A mente, num turbilhão,
aguardando o golpe de asa,
cresce, avassala e abrasa
e encandeia, num clarão.
O sonho o milagre tece…
Céus, e o homem acontece!


José-Augusto de Carvalho
Viana * Évora * Portugal
 
Migrando para este novo espaço.


publicado por Do-verbo às 08:40
 
 
 
A Praça do Desplante está vazia.
Apenas o cansaço do pregão
do velho cauteleiro, que porfia
na venda da miragem da evasão…

Quem passa, afasta a sorte com um gesto.
O gesto de quem diz não vale a pena!
E o velho aceita o não sem um protesto
ou um esgar de continência obscena.
 
E vai, por entre as sombras, à deriva,
oferecendo a sorte, no vazio
sonâmbulo da Praça do Desplante…
 
Mas ninguém quer a grande, a grande esquiva!
E as sombras, num instante rodopio,
aguardam que outro Dante as saiba e cante…
 
 
 
José-Augusto de Carvalho
31 de Julho de 2008
Viana do Alentejo * Évora * Portugal
Migrando para este novo espaço.


publicado por Do-verbo às 08:01

 

 

Cidadão vulgar deste país,
tenho sonhos de Abril e pesadelos de Novembro.

Da noite sem estrelas nem luar,
guardo a tristeza da escuridão
e os sobressaltos do medo
de ser aqui a renúncia de mim.

Por caminhos de malandar,
gastei metade da vida…
De outros caminhos eu soube,
mas nunca os quis para mim.

Panteísta por desígnio da esperança,
sempre entrevi as flores silvestres
atapetando as estradas da vida…

Na madrugada de um Abril já distante,
soube da cidade a despertar
e do milagre das flores encravando os canos das espingardas
com aromas de fraternidade.

Maldesperto, vi o clarear do dia e acreditei…
...acreditei na primavera.

E, na barca da esperança, lá fui, sobre as ondas da ousadia!
E quando ventava rijo, a barca estremecia, estremecia, mas ia…

Ah, mas uma noite, os vigias de quarto não souberam ler o mar!…
E o homem do leme, porque não quis ser mais do que ele,
temeu o mar e rendeu-se aos escolhos de Novembro.

Na noite do pesadelo, quando o vento sopra rijo,
ainda se ouvem os gritos dos náufragos da barca da esperança…
 
 

José-Augusto de Carvalho
3 de Agosto de 2008.
Viana do Alentejo * Évora * Portugal

 

Migrando para este novo espaço


publicado por Do-verbo às 07:53
 

 

Os Pirenéus são a fronteira natural.
Aquém se estende a Ibéria…
…deslumbrando-se nos poentes incendiados
donde lhe acena o Novo Mundo!
…encantando-se nos mistérios do Meio-dia,
onde adivinha maravilhas de ébano
e rotas salgadas de pimenta e canela!


Lê nas estrelas o destino da largada!
O pátrio solo ibérico apenas é o cais,
o cais determinando a partida inevitável
para o mundo ignoto que chama, chama, chama!…
É a predestinação!
E vai, sobre as ondas lavadas de aventura e liberdade,
abraçar o longe, que mora além do medo e da renúncia!
E deixa para trás as terras de Espanha
e as areias de Portugal!
No cais da largada, ficam as viúvas do medo
acenando o adeus soluçante,
que será ou não
o adeus de nunca mais!
Os lenhos singram ligeiros nas rotas da tontura!
Os mastros gemem, gemem… mas não quebram!
As velas, prenhes de longe e de evasão,
voam na distância, mais e mais!
E os lenhos enfrentam o Cabo Não!
E dobram o Cabo Não!
E vão até ao Fim do Mundo!


Além dos Pirenéus, expectante,
um mundo outro que escolhera ficar,
assumindo a separação definitiva.



José-Augusto de Carvalho
5 de Agosto de 2008.
Viana *Évora * Portugal
 
Migrando para este novo espaço.


publicado por Do-verbo às 07:46

 

  


 

 
E tanto por dizer ficou estrangulado
nas malhas do silêncio azul e da clausura!
Do risco de falar ao de ficar calado,
medrava em cada olhar o esgar duma censura.
 
Era o Tempo parado
dos altares pagãos,
onde foi imolado,
por atávicas mãos,
o devir revelado.

 

Difusa, em cada esquina, a sombra desenhava,
na mancha que sangrava as pedras da calçada,
o desvario que, insone e plúmbeo, procurava
a brisa que trazia a nova perfumada.
 
Era o tempo parado
dos desígnios fatais
dum fantasma danado
a negar os sinais
do devir revelado.
 
 
Ah, meu amigo, e tu nos longes por haver,
ainda do silêncio infausto tão distante,
vivias, no mistério, a sedução de ser
um astro mais do céu, a lucilar, errante.
 
Era o tempo parado
da vergonha de nós,
no estertor resignado
e no medo sem voz
a render-se calado.
 
Chegaste, agora, são e salvo, e o tempo é teu!
Bem-vindo sejas! Vem, no tempo que em ti cresce,
ser mais um cravo-Abril, que o dia amanheceu!
E deixa-te orvalhar de auroras e floresce!
 

 

José-Augusto de Carvalho
19/5/2009
Viana*Évora*Portugal

 

Migrando para este novo espaço.


publicado por Do-verbo às 07:33

Exmos. Leitores:
Prevenindo a eventualidade de alguns leitores desejarem ir além do comentário, aqui reitero a disponibilidade deste espaço para acolher a cartas que receber e as minhas respostas.
Mais reitero, aliás conforme o tag «2- Posição * Posição», que as cartas que ficarem aquém da urbanidade não serão respondidas nem acolhidas neste espaço.
Os meus cumprimentos,

José-Augusto de Carvalho

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publicado por Do-verbo às 07:17

Estimados Visitantes:
Sob o título genérico de «TEMPOS DO VERBO», arrumo alguns poemas, dispersos, por agora, e presumivelmente a incluir em alguma colectânea existente ou a criar.
Cordiais saudações.
José-Augusto de Carvalho



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publicado por Do-verbo às 07:12

Exmos. Visitantes:


Num impulso de fraternidade, escrevi "versos lejanos", directamente em castelhano, e solicitei ao Poeta Luis Arias Manzo, responsável maior de Poetas del Mundo, o favor de encaminhar o poema para o Poeta Ibrahim Nasrallah. Com grande surpresa, recebi o poema intitulado Poetas, que o grande Poeta jordano decidiu oferecer-me.
É com emoção e gratidão que registo aqui a sua atenção e agradeço a preciosa oferta.
Cordiais saudações.

José-Augusto de Carvalho
 
Nota: Ambos os poemas poderão ser lidos neste blog.



publicado por Do-verbo às 07:03

Exmos. Visitantes:

Reitero a afirmação de que será sempre um privilégio merecer a atenção de quem se predispuser a visitar este meu espaço.
Muito dificilmente saberia encontrar as palavras adequadas para dizer do quanto me sensibiliza saber que os textos aqui insertos  merecem um pouco de atenção.
Verificando que alguns dos visitantes não deixam o seu endereço, impossibilitando-me de agradecer, como é meu dever, aqui lhes deixo a minha gratidão.

A todos o meu bem-hajam!
José-Augusto de Carvalho


publicado por Do-verbo às 06:59

Estimados visitantes:

Na caixa postal agora criada, será arquivado todo o correio recebido e expedido.
Espero e desejo que este espaço seja de reflexão, na verdade de nós, e de afirmação, na certeza de nós.
Este blog pretende ser um cais de partida e de chegada; um espaço de encontros e de desencontros; um lugar de aceitação e de recusa.
Os textos insertos no blog, os que eu subscrevo e os que subscrevem os meus amigos, são um modo de comunicação. Os comentários dos estimados visitantes dirão de si e de nós.
Bem-hajam!

José-Augusto de Carvalho
Viana * Évora * Portugal




publicado por Do-verbo às 06:51
Registo de mim através de textos em verso e prosa.
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