Sábado, 26 de Junho de 2010

 

(Israel, 21 de Junho de 2008)

 

 
As pétalas da flor que Junho desfolhou,
cobriram de amargura as terras de Israel.
Nas margens do Mar Morto, a sombra desenhou,
com lágrimas de sal, um cálice de fel.
 
Nas áleas do Jardim, perene, o mito ateia
a chama que nos chama, em labaredas de ouro.
E a flor, estreme e bela, em seu candor, passeia,
na brisa do deserto, o seu cabelo louro.
 
À Vida, que não quis que a flor emurchecesse,
vergada pelo tempo exausto da anciania,
escrevo, neste adeus, os versos da tristeza.
 
Se mais um outro dia ainda amanhecesse,
serias sempre tu, em  flor-policromia,
o alor da sedução do sonho e da Beleza.
 
 

José-Augusto de Carvalho
23 de Junho de 2008.
Viana * Évora * Portugal


publicado por Do-verbo às 16:30
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