Quarta-feira, 23 de Junho de 2010
 
 

 

 

 

 

 

Lisboa, Casa do Alentejo, 27 de Junho de 2009.

 

Se lançar este meu livro nesta muito amada cidade de Lisboa já é um privilégio, duplo privilégio é estar sob estes tectos da Casa do Alentejo, marco incontornável da presença alentejana na capital do país.

Bem-hajas, Lisboa, minha amada cidade de acolhimento!

Bem-hajas, Casa do Alentejo, presença física do meu Alentejo pátrio!

Estas são as minhas primeiras palavras, naturalmente de sentida gratidão.

Também estas outras de agradecimento são para os poetas e editores Xavier Zarco e Paulo Afonso Ramos, por terem acreditado na edição de «Do Mar e de Nós»

Bem-hajam, Companheiros!

Neste livro, editado sob a chancela de Temas Originais, e, agora, apresentado pelo poeta Xavier Zarco, há a nostalgia do mar e dos nossos antepassados, que, intrepidamente, quiseram, puderam e souberam projectar a Pátria para muito além dos limites estreitos, geograficamente definidos nesta faixa ocidental da Ibéria. 

Desses homens grandes, nossos antepassados, disse Camões, lapidarmente, que da inexorável Lei da Morte se libertaram. E muito justamente, porque foram eles que ergueram uma Pátria que ganhou o respeito e a admiração do Mundo. E, como poucos, cumpriram-se como homens. 

Raramente os mereceram os governantes da época. E, menos ainda, os cortesãos, que, nos corredores do Paço, alimentando-se de sinecuras e de ócio, sempre se entretiveram com intrigas e invejas, anunciando a «apagada e vil tristeza» de que Camões também amarguradamente nos fala.

A esses governantes e validos remonta a mediocridade cinzenta e mesquinha que haveria de perdurar por séculos, para desgraça da Pátria e desgosto de quem tudo deu por ela.

As viúvas e os órfãos, com as suas lágrimas, mais salgaram ainda o salgado mar.

Os avisados Velhos do Restelo não foram ouvidos, mas nem os excessos nem os erros poderão empequenecer a glória de que muito nos orgulhamos.

Não há saudosismo em quanto digo, apenas, sim, há o desgosto de não mais termos conseguido fazer por merecer tamanha grandeza. E aqui me socorro de Fernando Pessoa que, na sua «Mensagem», apela a que busquemos, hoje, de novo, a distância. E cito de cor: «Do mar ou outra, mas que seja nossa!»

E se conquistarmos, hoje, uma outra distância, poderá ser um objectivo de realização deveras problemática, um outro, de mais exíguas proporções será o de contribuirmos para a possível preservação da presença pátria nos quatro cantos mundo, obtida que seja a devida autorização das autoridades governamentais dos países onde ainda nos perpetuamos.

Admito que sejam escassos os nossos recursos financeiros, mas não o serão os recursos humanos. Há muitos portugueses aposentados que de bom grado rumariam a essas pa-ragens e se ocupariam, quase sem custos acrescidos, do muito que há a fazer. Assim as autoridades pátrias o reclamem.

Como aposentado, digo: presente! E sei que não estou sozinho!

Finalizando:

 Não sei como será recebido este livro. Até poderá ser entendido como um malamanha-do ramalhete de versos. Que seja! Não busco louros nem nunca enverguei a jactância de me considerar um talento das Letras pátrias.

Com este livro apenas cumpro um dever de gratidão. E esta minha atitude terá de ser respeitada. É pouco o que dou? Talvez seja pouco, muito pouco, mas dei o que pude. E se mais não dei foi porque não pude mais.

Ou dizendo de outra maneira, e parafraseando Camões: Se mais pudera, mais dera! 



José-Augusto de Carvalho



publicado por Do-verbo às 18:37
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