Segunda-feira, 17 de Novembro de 2014

tormenta.jpg

 

É sempre o mesmo desconforto!

A chuva, o vento, a tempestade…

Fechada a barra,

vazio o porto,

há um vazio na cidade,

um vazio que nos amarra

como os barcos parados,

ao largo fundeados.

 

Galopes de fúria das águas

que salgam as mágoas

dos olhos molhados.

Gaivotas em terra, transidas

de frio nos molhes do porto.

Asas recolhidas,

corpos fustigados

p’los látegos do desconforto.

 

E os barcos parados,

ao largo fundeados,

descendo, subindo

ao sabor das vagas

que investem rugindo…

E a chuva caindo!

E o vento ululante de pragas

agredindo o porto…

E a barra fechada

e a cidade ouvindo,

ouvindo calada,

sofrendo calada

tanto desconforto.

 

E os barcos parados,

ao largo fundeados…

E a barra fechada

negando a largada.

 

*

José-Augusto de Carvalho

16 de Novembro de 2014.

Viana*Évora*Portugal

 

 

 



publicado por Do-verbo às 00:54
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