Sexta-feira, 22 de Abril de 2011


 
 
Deixa assentar o pó.
Foi só um torvelinho,
um torvelinho só,
perturbando o caminho.
 
É vulgar, numa estrada,
algo de estranho haver.
Mas, quando vamos ver,
vemos que não é nada.
 
São os rebates falsos
dos traumas ancestrais
inventado percalços.
 
Fantasmas que passais,
os nossos pés descalços
não param nunca mais!
 
 
José-Augusto de Carvalho
6 de Setembro de 2001.
Viana*Évora*Portugal


publicado por Do-verbo às 10:05

 

 

Não sou muito nem pouco, acredita.
Sou, apenas e só, o que sou,
 a viagem aflita e finita
em que vou.
 
Não sou fogo nem água, nem ar.
E não voo e não nado e não ardo.
Talvez silvo de um dardo
que, sem alvo, perdeu o objectivo.
Ou talvez o sonhar
que está vivo
e receia acordar.
 
 
 
José-Augusto de Carvalho
7 de Setembro de 2001.
Viana*Évora*Portugal


publicado por Do-verbo às 09:58

 
 Sonho acordado o mesmo sonho antigo,
que vem desde o princípio disto tudo.
Fiz dele o meu caminho, que prossigo,
mas olho em derredor e não me iludo.
Em cada esquina, atento, o predador,
dissimulado, espreita a sua presa.
Montado o cerco, quem se pode opor,
às investidas vis e sem defesa?
 
De assalto, já tomaram a cidade.
Na praça antiga, ergueram o patíbulo,
onde, em sufoco e náusea, a dignidade
é mais violada do que num prostíbulo.
 
O reles e o primário por divisa!
E a presa, apetecível, agoniza...
 

 



José-Augusto de Carvalho
10 de Agosto de 2001 - 2 de Outubro de 2010
Viana * Évora * Portugal


publicado por Do-verbo às 09:39
 
O medo de morrer,
como se a morte fosse
um castigo a sofrer...
 
O tempo de nascer
sempre consigo trouxe
o tempo de morrer...

 
 
José-Augusto de Carvalho
7 de Agosto de 2001 - 2 de Outubro de 2010
Viana * Évora * Portugal


publicado por Do-verbo às 09:28
 Desenho de José Dias Coelho (Internet)
 
O Tudo e o Nada...
Assim, a contradição,
ei-la, exposta e desnudada,
sem disfarce ou distorção.
 
O Bem e o Mal.
Não envelheceu Mani.
Sempre o pão do teu bornal
há quem o queira p'ra si...
 
De um lado, as hostes celestes...
Do outro, as hordas infernais...
(o purgatório neutral...)
 
ambas envergando as vestes
dos instantes carnavais
duma farsa capital.

 
 
José-Augusto de Carvalho 
Redigido em 14 de Julho de 2001.
Corrigido em 10 de Junho de 2010.
Mani, filósofo persa, século III.


publicado por Do-verbo às 08:55

 
Direito escreverá por tortas linhas...
Que fórmula subtil
de se afirmar a Fé em louvaminhas!
Quem poderá, quer crie, quer aniquile,
ser sempre o Bem que prega o campanário,
até quando se vê o seu contrário?
 
Porquê a perfeição
usando a distorção? 
 
 
José-Augusto de Carvalho
11 de Setembro de 2001 - 3 de Outubro de 2010
Viana * Évora * Portugal
 


publicado por Do-verbo às 08:43


          
 
Esta indigência
ofende a inteligência!
 
Esta postura assumida
retrata com nitidez
uma visceral nudez
sem vergonha nem decoro:
andar-se, num desaforo,
sempre de mão estendida:
 
-- Uma esmola, por favor...
...que Deus lhe pague, senhor!...
 

José-Augusto de Carvalho
5 de Setembro de 2001.
Viana*Évora*Portugal


publicado por Do-verbo às 08:33

 

Vestiram de luto

as pedras medievas.

Quando a noite desce,

no luto perscruto

o imo das trevas,

que cresce, que cresce,

buscando o sentido

do luto vestido.

 

 

José-Augusto de Carvalho

3 de Setembro de 2001 - 2 de Outubro de 2010

Viana * Évora * Portugal


publicado por Do-verbo às 08:15

 

São vómitos, senhor, são vómitos reais...

E fétidos, senhora, e fétidos de mais...

 

É alto o bastião, senhora, não temais...

E o fosso a transbordar, senhora, a transbordar,

impede a populaça hirsuta de atentar

contra a pureza em flor dos nossos esponsais.

 

Pressentimentos tenho e feios e ruins...

Senhor, que Deus nos guarde,

antes que seja tarde!

 

Senhora, não temais! Ainda há os mastins

sedentos de festins!

 

Senhor, que Deus nos guarde,

antes que seja tarde!

 

Senhora, não temais!

Para além das muralhas

da nossa fortaleza,

só há uns animais

famintos de migalhas

da nossa régia mesa...

 

 

José-Augusto de Carvalho

3 de Setembro de 2001 - 2 de Outubro de 2010

Viana * Évora * Portu


publicado por Do-verbo às 08:11

 

 
Aos ombros carregamos
todos os nossos medos,
os medos que ocultamos
como se fossem trágicos segredos.
 
Que fado ou maldição
insiste em nos querer
nesta condenação,
a doer, a doer?...
 
 
José-Augusto de Carvalho
7 de Agosto de 2001 - 2 de Outubro de 2010
Viana * Évora * Portugal


publicado por Do-verbo às 08:06
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