Quinta-feira, 10 de Novembro de 2011

 

Cada espiga suava o cansaço

ou, talvez, uma lágrima ardente.

Na fatia de pão ainda quente,

eu comia o calor dum abraço.

 

A pujança vital do teu braço,

p'la descrença algemado ardilmente.

Foste o ferro, ao sol incandescente,

à espera da têmpera do aço...

 

Não sabia, menino, que esta ânsia,

que eu colhia no vento, provinha

das papoilas vermelhas e bravas...

 

Não sabia, nos anos da infância,

que tu eras a fome que eu tinha,

saciada no pão que me davas...

 

 

José-Augusto de Carvalho

In arestas vivas, 1980.

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publicado por Do-verbo às 15:15
 




Nem um palmo tinha
de terra que fosse minha.
 
A lonjura das herdades
ganhava ao longe da vista...
E o sangue do meu suor
a tudo deu de beber.
 
Não há homem que resista
quando tudo tem de dar
e nada que receber...
Quando até o pão que é seu
é obrigado a pagar...
 
Fui a gleba, fui a fome.
Não tinha terra nem nome...
 
 
José-Augusto de Carvalho
In arestas vivas, 1980.

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publicado por Do-verbo às 15:00
Quinta-feira, 27 de Outubro de 2011
 
Guardei no bolso a amargura
que me coube nas partilhas.
 
Bebi, com raiva convulsa,
uma lágrima teimosa
e fugi como um maltês
acossado p'los rafeiros...

Fugiu comigo a mentira
da terra que se diz minha.
 
 
 
José-Augusto de Carvalho
In arestas vivas

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publicado por Do-verbo às 14:41
 

 

Meu lírio roxo..., cantigas
que o vento nos traz e leva
na mentira das espigas...
-- pão amassado de treva!
/
Meu sonho de pesadelo,
suão -- ardência de lava!
Minha papoila de anelo
que és livre só porque és brava!
  /
Minha dimensão estulta
do transe que em ti abrigas!
/
Minha terra onde um menino
é já a mentira adulta
da moda feita destino:
-- Meu lírio roxo..., cantigas!


 

José-Augusto de Carvalho

In arestas vivas, 198

 

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publicado por Do-verbo às 12:53
Meu lírio roxo do campo....
 
 
Teu nome é uma bandeira
 
desfraldada à chuva e ao vento.
 
Uma estrela verdadeira
 
que desceu do firmamento
 
da noite da servidão.

 
 
José-Augusto de Carvalho
In arestas vivas, 1980

 


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publicado por Do-verbo às 12:35
 
Os homens, à boa vida,
juntam-se, em grupos, na praça.
 
Há braços, há mãos, há dedos
ansiando retesar-se...
Onde estão os arcos, onde,
que vão disparar as setas?
 
Quem quer alugar, quem quer?
Que dá mais? Quem arremata?
 
 
José-Augusto de Carvalho
In arestas vivas, 1980


*

Praça das jornas, espaço onde os agrários contratavam os camponeses.
À boa vida, expressão irónica que designava os camponeses sem trabalho.


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publicado por Do-verbo às 12:16

Adil, do árabe atíl, terreno inculto.

Da antiga Viana de Fochem, depois, absurdamente, a-par-de-Alvito, e, agora, redundantemente, do Alentejo, retomamos a divulgação deste espaço, que terá a assiduidade possível.
Daqui, donde se diz que o seu povo é de muitos mouros, alguns judeus e o resto sabe-o Deus.
Adil, terreno inculto. Tal qual, porque quem pode não quer e quem quer não pode.
Terra de senhores de abastança e que já foi de pão amassado com lágrimas de desespero.
Terra que viu craveiros a florir, em Abril; e a secar, em Novembro.
Terra que espera.
José-Augusto de Carvalho


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publicado por Do-verbo às 10:41
 


Quando descobri a importância relativa dos blogues enquanto espaço de livre e responsável afirmação de quanto pretendemos comunicar, criei o blogue ADIL. Hoje, ponderando o intento, concluí pela impossibilidade da sua existência autónoma. Decido, por isso, transformá-lo em uma das partes constitutivas deste outro espaço.

Subordinado a esta etiqueta --- ADIL, começarei por transcrever o pouco já anteriormente publicado.
Assim me definia, então, enquanto alentejano no meu pátrio Alentejo. Assim continuarei...

Dórdio Gomes, Pintor alentejano



Rasgando as estradas,
 
à luz da evasão,
 
esmago no chão
 
um tempo de nadas.
 
 
 
José-Augusto de Carvalho
Lisboa, Dezembro de 2009

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publicado por Do-verbo às 10:12
Segunda-feira, 21 de Junho de 2010

 

 

 

Adil, do árabe atíl, terreno inculto.

Da antiga Viana de Fochem, depois, absurdamente, a-par-de-Alvito e, agora, redundantemente, do Alentejo, retomamos a divulgação deste espaço, que terá a assiduidade possível.

Daqui, donde se diz que o seu povo é de muitos mouros, alguns judeus e o resto sabe-o Deus.

Adil, terreno inculto. Tal qual, porque quem pode não quer e quem quer não pode.

Terra de senhores de abastança e que já foi de pão amassado com lágrimas e desespero.

Terra que viu craveiros a florir, em abril, e a secar, em novembro.

Terra que espera.

 

 

José-Augusto de Carvalho

Viana * Évora * Portugal


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publicado por Do-verbo às 23:06
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