Domingo, 28 de Outubro de 2012

 

 

 
Ganhei-me, visionário, na distância 
lendária dos confins da Geografia.
Moldei meu corpo em ondas de fragrância
e dei-me em vendavais de rebeldia.

 

De sonho e pinho fiz a caravela.
Bordei a rota de astros e de sal.
Perfumes de evasão e de canela 
perderam-se num banco de coral.

 

Ainda as águas falam de naufrágios. 
E os sonhos, a boiar, não vão ao fundo.
Que importam profecias e presságios?
Meu sonho foi até ao fim do mundo.

 

Agora, na diáspora me ganho...
E sou o mesmo sonho desde antanho! 

 

 
José-Augusto de Carvalho
28 de Outubro de 2012. 
Viana * Évora * Portugal


publicado por Do-verbo às 22:36
Quarta-feira, 30 de Novembro de 2011
 
 
Do vento que enfunou as níveas velas
 
das velhas caravelas de quinhentos,
 
só resta o Fado, triste, nas vielas,
 
vestido de saudade e de lamentos.
 
 
 
Poetas loucos há, de Norte a Sul,
 
buscando, no sabor da maresia,
 
com Sá-Carneiro, um pouco mais de azul,
 
no céu da decadência amarga e fria.
 
 
 
Na minha voz ecoam outras vozes,
 
as vozes que eu herdei e que mantenho,
 
perenes de manhãs de apoteoses.
 
 
 
Memória do que foi o velho lenho,
 
nas asas haverá dos albatrozes
 
ou vivo no palor de algum desenho...
 
 

 
José-Augusto de Carvalho
13 de Janeiro de 2007
Viana do Alentejo * Évora / Portugal


publicado por Do-verbo às 14:10
Sexta-feira, 22 de Abril de 2011
Torre de Belém, Lisboa, foto internet
 
 
 
Deste cais de partida, diviso,
na distância, a promessa jurada.
Que ansiedade em minh'alma preciso
e me arranca das névoas do nada!
*
 
Em redor, o abandono ferido...
Onde o sal, onde o iodo destas águas?
E a guitarra de cordas de mágoas
derramando insistente gemido!...
*
 
Venham medos, angústias, procelas!...
Venham céus de negrume, sem astros!
Venha, até, o que nem imagino!...
*
 
Ai, se os ventos rasgarem as velas!...
Ai, se inúteis me forem os mastros,
que se cumpra este mar --- meu destino!

 
 
José-Augusto de Carvalho
23 de Agosto de 2010.
Viana*Évora*Portugal


publicado por Do-verbo às 03:07
Quinta-feira, 06 de Janeiro de 2011

 

Que trémulo farol inventa os medos?

Que dor doendo todos os degredos?

 

Os ídolos extáticos na lenda.

Cinzéis impondo formas aquilinas.

E a vida, sempre em transe, só desvenda

a luz que malespreita nas esquinas...

 

As portas da cidade estão guardadas.

Quem abe e quem revela o santo e a senha?

Muralhas que não dou por escaladas...

Ai, que renúncia assim de mim desdenha?

 

Que dor e que torpor me dói e desce

até ao imo envolto em desespero?

Oh, braço do temor prisioneiro,

no chão raízes ganha  e livre cresce!

 

 

José-Augusto de Carvalho

11 de Março de 1997.

Viana*Évora*Portugal


publicado por Do-verbo às 15:28
Domingo, 19 de Dezembro de 2010
 
Provei, no meu baptismo, o símbolo do sal.
Provei e não gostei, decerto, do amargor.
Provei, bebé ainda, o gosto a Portugal.
Provei, sem crer no Fado, o fel do seu sabor.

O Bem fugaz provei no leite maternal.
O duradouro Mal depois se soube impor.
E nem no tempo vão do breve Carnaval
eu vi, de novo, o Bem, num cântico de amor.
 
Meu ânimo de bravo ousou o Bojador.
Ao Cabo Não gritei: arreda, o meu fanal
é mais além de ti e até do Adamastor!...

Às Índias arribei! Além do chão natal,
sofri, morri, sonhei, amei com tanto ardor,
que em todo o mundo existo ainda Portugal!

 

 
José-Augusto de Carvalho
Lisboa, 9.X.2010


publicado por Do-verbo às 12:07
Domingo, 05 de Dezembro de 2010
 
De mar em mar, as quilhas temerárias
vergaram medos, mitos e procelas!
E os novos mundos, ao sabor das velas,
ao sonho deram dimensões lendárias.
 
E cada nau rumava mais distante,
num transe de aventura e de miragem!
Em cada vela, o símbolo e a mensagem
do verbo feito carne, agonizante...
 
Um povo que se erguia e transcendia,
cumprindo, por missão e por vontade,
o voto de rasgar da vista as vendas...
 
Chegou ao longe mais além que havia!
Nas pedras esculpiu a claridade:
padrões que deram vida a novas lendas!
 
José-Augusto de Carvalho
Lisboa, 19 de Março de 1996.
 
Sob o título «Do Mar e de nós-II», divulgo alguns textos que não foram incluídos no livro «Do Mar e de nós», editado em Junho de 2009 pela Editora Temas Originais, de Coimbra, e ainda outros escritos e a escrever depois daquela data.


publicado por Do-verbo às 08:44
Terça-feira, 30 de Novembro de 2010

 

De mar em mar, as quilhas temerárias

vergaram medos, mitos e procelas!

E os novos mundos, ao sabor das velas,

ao sonho deram dimensões lendárias.

 

E cada nau rumava mais distante,

num transe de aventura e de miragem!

Em cada vela, o símbolo e a mensagem

do verbo feito carne, agonizante...

 

Um povo que se erguia e transcendia,

cumprindo, por missão e por vontade,

o voto de rasgar da vista as vendas...

 

Chegou ao longe mais além que havia!

Nas pedras esculpiu a claridade:

padrões que deram vida a novas lendas!

 

 

José-Augusto de Carvalho

Lisboa, 19 de Março de 1996.



publicado por Do-verbo às 18:20
Quarta-feira, 24 de Novembro de 2010

 

Provei, no meu baptismo, o símbolo do sal.

Provei e não gostei, decerto, do amargor.

Provei, bebé ainda, o gosto a Portugal.

Provei, sem crer no Fado, o fel do seu sabor.

 

O Bem fugaz provei no leite maternal.

O duradouro Mal depois se soube impor.

E nem no tempo vão do breve Carnaval

eu vi, de novo, o Bem, num cântico de amor.

 

Meu ânimo de bravo ousou o Bojador.

Ao Cabo Não gritei: arreda, o meu fanal

é mais além de ti e até do Adamastor!...

 

Às Índias arribei! Além do chão natal,

sofri, morri, sonhei, amei com tanto ardor,

que em todo o mundo existo ainda Portugal!

 

 

José-Augusto de Carvalho

 Lisboa, 9.X.2010.



publicado por Do-verbo às 19:15
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