Terça-feira, 24 de Novembro de 2009
 

Eu canto as horas amargas
das cargas e das descargas
das barcas de arrojo e pinho…
Eu canto os longes das rotas
abertas pelas gaivotas
com asas de níveo linho…
 

Eu canto as horas sombrias
de medos e de agonias
no mais além da tormenta…
Eu canto as horas de luto,
naufrágios, febre, escorbuto,
sabor de cravo e pimenta…
 

Eu canto no Cabo Não
o sim de passar ou não,
mas nunca o retroceder…
Eu canto os Cabos da Dor!
Gil Eanes — Bojador,
tormentas de estarrecer…
 

Eu canto as Áfricas virgens,
feridas desde as origens
de mágoas e predadores…
Eu canto as Índias da História,
cobiças, dramas e glória
de incenso e de roxas cores…
 

Eu canto os áureos Brasis,
a cana em negro matiz
de açúcar de acres sabores…
Eu canto a nesga europeia
do Poeta e da Epopeia
do Fado das nossas dores…
 
 

José-Augusto de Carvalho

Viana * Évora * Portugal
 

Migrando para este novo espaço.


publicado por Do-verbo às 13:54
Torre de Menagem do castelo de Beja
 
 
Do cimo de São Vicente,
vejo o castelo de Beja,
quando um sol de estio ardente
ao inferno faz inveja…

Meus olhos mergulham fundo
na lonjura que me ganha!
Não há fronteiras no mundo!
Ninguém vive em terra estranha!

Nem pequenez nem grandeza,
a dimensão verdadeira
que sopesa com firmeza
frágil mão duma ceifeira.
 

José-Augusto de Carvalho
Viana * Évora * Portugal
 
Migrado para este novo espaço.


publicado por Do-verbo às 13:44
Registo de mim através de textos em verso e prosa.
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