Sexta-feira, 27 de Novembro de 2009

 
Seu retrato na moldura
mais parece uma pintura,
é tão diferente de você, na realidade.
Seu retrato marca o tempo,
quem será o aquarelista?
Mas é foto, foi preciso um retratista.
Mas você, não, é de verdade!
No jardim cuida das flores, que linda!
Não as flores, falo de você, ainda!
Na cozinha, de avental, toda suja,
é sem jeito, você tem que concordar.
Mas, meu Deus, que cozinheira eu tenho!
Eu preciso acordar!
Seu retrato na moldura
mais parece uma pintura.
E ele anda pela casa,
faz faxina no banheiro,
tira pó dos móveis,
toma banho de chuveiro!
Seu retrato muda a roupa,
estica a perna na cama e veste a meia,
e, eu, que não sou retrato,
fico olhando esse seu ato
salivando, a boca cheia!
Seu retrato na moldura
não é você, meu bem!
Seu retrato hoje tem rugas,
já precisa de ginástica.
Mas eu olho esse retrato
e preciso confessar
o que jamais te disse,
porque não te conhecia
nesses anos do retrato.
Teria um namorado?
Seria sozinha?
Eu amo esse retrato,
porque desde que nascemos,
e em todos os dias de antes,
eu sempre fui seu,
e você sempre foi minha!


Ivan Carvalho de Siqueira

Macaé, primavera de 1996
RJ - Brasil
Migrando para este novo espaço.


publicado por Do-verbo às 14:34
Uma biografia não deveria nunca ser escrita por outra pessoa, toda biografia deveria ser uma auto-biografia. A razão, é que só você erra quando escreve sobre você, os biógrafos sempre acertam, mas escrever sobre mim é a única oportunidade que me é dada de me conhecer! Vi isto, agora, neste instante, quando sento ao computador para dizer, afinal, quem é você, Ivan?
Nasci no Brasil, na cidade de Macaé. É uma cidade de geografia privilegiada, fica entre o mar e a montanha, e tem um rio que corta a cidade e deságua no mar. Eu sou o resultado disto, nasci em frente ao rio desaguando no mar, e estou desaguando até hoje! Infância de jogar bola de gude, caçar passarinhos e pescar siri na lagoa. Todas as manhãs, na ida para a escola, com sete anos de idade, passava em frente a uma igreja católica, e pedia à benção ao padre. Acho que fui mesmo abençoado, cresci, me casei, e recebi da vida dois filhos a quem amo desesperadamente! Como foi bom ter encontrado com aquele padre! Aos quatorze anos de idade, fui a uma festa de aniversário, e lá conheci uma garota, e começamos a namorar ali. As visitas da festa se dividiam por entre os cômodos da casa, e eu e a garota ficamos em um quarto, juntos com várias outras pessoas, e, num canto entre um armário e a parede, meio escondidinhos, beijei a boca de uma mulher pela primeira vez na vida. Tudo indica que gostei! Nunca mais parei de beijar! Aos treze anos de idade, me iniciei na guitarra elétrica, formei uma banda de rock. Aos quinze anos, toquei em um canal de televisão. Aos dezoito anos servi à pátria, fui para as forças armadas, e lá eu tive duas funções distintas, fazia os cálculos matemáticos de balística e tinha uma banda de rock formada com outros soldados, animava as festas na caserna, uma espécie de Elvis Presley!(risos) Cumpri minha obrigação militar, e, aí, vieram os estudos. Estudei Ciências Econômicas, e trabalhei como economista em empresas públicas e privadas. Sou um economista filiado ao pensamento clássico reformador, isto inclui uma macroeconomia que utilize elementos conceituais do pensamento marxista , mas aplicados tecnicamente a uma dinâmica macroeconômica pós-marxista, de linhagem kaleckiana e até keynesiana reformadora. Não fazer confusão com neokeynesianismo, e, muito menos, com keynesianismo puro, essas correntes, não têm olhos ao social, à distribuição de renda igualitária, não servem como modelo para uma vida justa! Como trabalhador, estive no governo na área de previdência social, fui analista financeiro em empresas privadas, analista de investimentos e negócios empresariais. Hoje, desenvolvo softwares para economistas e empresas, usando a linguagem de programação Java, e dou treinamento profissional nesta área. Quando olho para essa vida aí atrás, sinto falta de falar do que mais fiz em toda a minha vida: tocar o violão. Esse instrumento me acompanha desde os treze anos de idade, nunca mais nos separamos. Gosto de tocar música clássica, samba, bossa nova, e, ao violão, componho minhas canções, e, se desejo me emocionar de verdade, fazer com que a alma se eleve para além do céu, sento na minha varanda, de frente para o mar, e canto uma canção que embalou minha infância, a “Casa Portuguêsa”, e, aí, não sei por que, sempre choro.
Ivan Carvalho de Siqueira
Macaé, 3 de maio de 2006.
RJ - Brasil
Migrando para este novo espaço.


publicado por Do-verbo às 14:30
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