Quinta-feira, 06 de Janeiro de 2011
 
 
Já nasci na prisão.
Fiz do medo
um brinquedo
que trazia na palma da mão.
Fui menino enjeitado.
Fui soldado.
Fui adulto explorado.
Fui vexado.
Vi o medo tolher
quantos homens sem medo!
Vi crianças comer
um bocado já duro de pão.
E vi mães em segredo
a beijarem o pão que caíra no chão!
Vi tudo o que era feio!
E, ao fim de tanto anos,
um amargo receio
de não ver
os tiranos
finalmente e de vez expulsos do poder...
Um receio doído,
como a fome sem pão,
como um homem traído
pela vil delação
ou como uma esperança
que a tirania insulta
nas mãos duma criança
condenada a nascer já adulta...
*
 
 
José-Augusto Carvalho
7 de Setembro de 1996.
Viana*Évora*Portugal


publicado por Do-verbo às 14:24
Registo de mim através de textos em verso e prosa.
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