Domingo, 29 de Novembro de 2009
 
 

Nevado de anos, roxo de amargura,
do tempo sem memória me levanto.
Os séculos de treva e de clausura
de fel enrouqueceram o meu canto.
 
Sangrenta a crença, bárbaro o costume,
sofri as vergastadas do martírio.
Sem culpa nem perdão, em dor e lume,
morri perante as turbas em delírio.
 
Restou de mim tão pouco, um quase nada,
que vem gritar, do pó do esquecimento,
que a cinza do meu corpo dói, gelada,
à míngua do fulgor do pensamento.
 
Ampara-me o carinho que me chama
e lava a negação da minha lama.
 
 
José-Augusto de Carvalho
11 de Março de 2004.
Viana*Évora*Portugal
Migrando para este novo espaço.


publicado por Do-verbo às 11:36
Registo de mim através de textos em verso e prosa.
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