Quarta-feira, 30 de Janeiro de 2013

 

 

António Vasco da Costa
Carvalho Massapina
15.5.1947 - 8.12.2012
*
Eu já nem tenho lágrimas, Titó!
Quando chegaste, dei-te as boas-vindas!
Ah, Maio! Dias lindos! Flores lindas!
Ah, trigo de oiro ansiando pela mó!
*
Nos teus tentens ousados me revia.
Ganhavas as raízes naturais.
Raizes duma herança de sinais
que mais e mais, em ti, reverdecia.
*
Caminhos bem diversos percorremos.
Em cada um de nós um peregrino
cumprindo-se na busca a que nos demos.
*
E foste, na ousadia de menino,
antes de mim, sem velas e sem remos,
do transitório ao cósmico destino.
*
José-Augusto de Carvalho
Lisboa, 29 de Janeiro de 2013.


publicado por Do-verbo às 17:13
Terça-feira, 29 de Janeiro de 2013

O rebanho

 


suspensos os sentidos


sustida a respiração


suspirada a oração


suados e sofridos


sentamo-nos vencidos


sofrendo o sermão:


são ovelhas ou não são?



(Nota: o título é de minha responsabilidade)



publicado por Do-verbo às 16:03
Terça-feira, 29 de Janeiro de 2013

 


 
Carrego a minha dívida de mim,
cumprindo a pena imposta até ao fim.

Da treva ou do mistério donde vim
à treva ou ao mistério que me espera,
espaço e tempo -- a sombra de Caim,
intemporal, persiste e dilacera...

E tudo é feio e gélido e ruim.
O inútil acontece e desespera.
Morreram os canteiros no jardim,
em maldição estéril e severa.

Que espírito ou desígnio de Eloim,
por sobre os ares paira e o sonho gera?
O sonho ensanguentado de Caim,
que nem remorso ou prece regenera...
 

José-Augusto de Carvalho
Moita (B.B.), 7 de Julho de 1995.


publicado por Do-verbo às 14:45
Quinta-feira, 24 de Janeiro de 2013

Campo de papoilas, foto internet
 
*
«O Alentejo não tem sombra
senão a que vem do céu…»
Se tanta lonjura assombra,
mais assombra a tremulina
que cai, em dourado véu,
sobre o espanto da campina.
*
São os caminhos dos olhos
a rasgar os horizontes,
onde o «alecrim aos molhos»
perfuma a sede das fontes
e a ternura das cantigas
doira a fome nas espigas.
*
É esta raia de Espanha
acendendo a tentação
de buscar em terra estranha
o alor que leveda o pão…
Sonho roendo as entranhas
em dorida punição.
*
É esta angústia que canto
da promessa dum país,
é este parto de espanto,
nos desolados adis,
um manto que tudo cubra,
sangrando, em papoilas rubras.
*
 
José-Augusto de Carvalho
Lisboa, 22 de Janeiro de 2013.


publicado por Do-verbo às 16:16
Quarta-feira, 23 de Janeiro de 2013

Não sei quem és, mulher ou homem, que interessa?
De ti, me importa a paz que trazes... ou a guerra.
De ti, me importa o cheiro a vida, a sangue, a terra...
De ti, me importa o verbo alado da promessa.
*
Além do verbo, tu, efémera existência,
na dor e no prazer serás como os demais.
Não sei donde vieste ou para onde vais,
nem faço de sabê-lo insólita exigência.
*
Importa-me saber os êxtases das horas
que vives nesse caos de sonho e rebeldia,
nesse insondável caos que cantas e que choras...
*
E deixa-me voar no verbo que irradia,
que subo, além limite, até onde tu moras,
nas horas em que tu és deus e poesia
*
 
José-Augusto de Carvalho
5 de Janeiro de 2005.
Viana*Évora*Portugal

 



publicado por Do-verbo às 16:53
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