Quinta-feira, 30 de Agosto de 2012

Chagall, «A queda de Ícaro»

(Imagem Internet)

 

 

Hoje,

morreu um homem bom. Ficou mais pobre a Vida.

Indiferente à dor e ao luto, o sol de Agosto

requeima ainda mais a minha tez curtida

e deixa-me em cristais de sal o meu desgosto.

 

Hoje,

apenas o silêncio eu quero por conforto.

Silêncio e nada mais. A noite vem aí,

vestindo devagar este vazio morto

de sombras e pesar. Inútil, fico aqui.

 

Hoje,

mais uma vez enfrento inerme o desenlace

e tudo em derredor doendo se esboroa.

O efémero é agora a vida sem disfarce:

um Ícaro a sonhar que sobe ao céu e voa!

 

 

 

José-Augusto de Carvalho

Lisboa, 19/23 de Agosto de 2012.

 

Poema escrito em memória de João António Potes

(Viana do Alentejo, 19 de Agosto de 2012.)



publicado por Do-verbo às 18:42
Sexta-feira, 24 de Agosto de 2012

 

OS DIAS DESCONTADOS

 

São Mateus Evangelista

 

eu vos digo que antes passariam o céu e a terra do que passaria uma só letra menor ou uma partícula duma letra da Lei sem que tudo se cumprisse.

Mateus



Inesperadamente, a marca

indelével do destino

soou como um badalo

chocalhando-me o cérebro.

Nota oficiosa:

-aos cidadãos atentos

O próprio locutor, notou-se,

compreendeu:

a catástrofe é iminente e universal.

A crise,

o petróleo,

o dólar,

a crista de altas pressões

e, se necessário, o estado de sítio.

Só por milagre será evitado

o agravamento dos preços ao consumidor.

Para evitar mal entendidos, a

a ordem pública,

a ordem pudica,

a ordem pura

e demais ordens de serviço

serão mantidas.

Deus dará.



publicado por Do-verbo às 22:49
Quinta-feira, 16 de Agosto de 2012
Imagem retirada da internet
 
 

Este blogue contém, também, imagens retiradas da internet.

Se encontrar aqui uma imagem sua, peço-lhe que me informe para sob ela anotar os devidos créditos ou para a retirar, se for esse o seu desejo.

A minha gratidão.

José-Augusto de Carvalho



publicado por Do-verbo às 14:57
Terça-feira, 14 de Agosto de 2012

 

 

Ao Poeta

Para Daniel Cristal


Quando um Poeta da cidade desce
até ao campo desvalido e rude,
Um manto de papoilas refloresce,
ruborizando a minha solitude.

Vestido de roupagens de carinho,
trouxeste ao ermo o verbo em melodia...
Deixa-me atapetar o teu caminho
de pétalas de sonho e meio-dia.

Não tenho nem faianças, nem brocados...
Não tenho vinhos raros de delícia...
Não tenho nada igual ao que abandonas.

Mas tenho estes meus céus incendiados,
suave, a luz, em halos de carícia,
açorda de poejos e azeitonas...

*
José-Augusto de Carvalho
21.Julho.2003

Viana*Évora*Portugal

 



AO POETAMIGO

José-Augusto de Carvalho

De ti me chega o frémito da sina
na raíz, poeta eleito na excelência!
Ser poeta não se aprende nem se ensina,
Preciso é cavar no mundo da essência!

É uma sina sonhada como estigma
Da mão no estado puro da florescência;
Uma rudeza térrea duma signa
hasteada pelo povo da carência.

Com tapetes me albergas, refloridos,
Abres portas com gestos de ternura
Ao beirão que voltou aos tempos idos
Do meu avô Caetano na forja dura.

Herdei dele a voz da mansidão
Pelos amigos tidos no coração!

*
Daniel Cristal
22.07.2003



publicado por Do-verbo às 22:07
Registo de mim através de textos em verso e prosa.
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