Segunda-feira, 30 de Novembro de 2009
No lançamento do livro «Do Mar e de Nós»
Lisboa, Casa do Alentejo, 27 de Junho de 2009.


Se lançar este meu livro nesta muito amada cidade de Lisboa já é um privilégio, duplo privilégio é estar sob estes tectos da Casa do Alentejo, marco incontornável da presença alentejana na capital do país.
Bem-hajas, Lisboa, minha amada cidade de acolhimento!
Bem-hajas, Casa do Alentejo, presença física do meu Alentejo pátrio!
Estas são as minhas primeiras palavras, naturalmente de sentida gratidão.Também estas outras de agradecimento são para os poetas e editores Xavier Zarco e Paulo Afonso Ramos, por terem acreditado na edição de «Do Mar e de Nós». Bem-hajam, Companheiros!
Neste livro, editado sob a chancela de Temas Originais, e, agora, apresentado pelo poeta Xavier Zarco, há a nostalgia do mar e dos nossos antepassados, que, intrepidamente, quiseram, puderam e souberam projectar a Pátria para muito além dos limites estreitos, geograficamente definidos nesta faixa ocidental da Ibéria.
Desses homens grandes, nossos antepassados, disse Camões, lapidarmente, que da inexorável Lei da Morte se libertaram. E muito justamente, porque foram eles que ergueram uma Pátria que ganhou o respeito e a admiração do Mundo. E, como poucos, cumpriram-se como homens. Raramente os mereceram os governantes da época. E, menos ainda, os cortesãos, que, nos corredores do Paço, alimentando-se de sinecuras e de ócio, sempre se entretiveram com intrigas e invejas, anunciando a «apagada e vil tristeza» de que Camões também amarguradamente nos fala.
A esses governantes e validos remonta a mediocridade cinzenta e mesquinha que haveria de perdurar por séculos, para desgraça da Pátria e desgosto de quem tudo deu por ela.
As viúvas e os órfãos, com as suas lágrimas, mais salgaram ainda o salgado mar.
Os avisados Velhos do Restelo não foram ouvidos, mas nem os excessos nem os erros poderão empequenecer a glória de que muito nos orgulhamos.
Não há saudosismo em quanto digo, apenas, sim, há o desgosto de não mais termos conseguido fazer por merecer tamanha grandeza. E aqui me socorro de Fernando Pessoa que, na sua «Mensagem», apela a que busquemos, hoje, de novo, a distância. E cito de cor: «Do mar ou outra, mas que seja nossa!»
E se a conquista de uma outra distância, hoje, poderá ser um objectivo de realização deveras problemática, um outro, de mais exíguas proporções será o de contribuirmos para a possível preservação da presença pátria nos quatro cantos mundo, obtida que seja a devida autorização das autoridades governamentais dos países onde ainda nos perpetuamos.
Admito que sejam escassos os nossos recursos financeiros, mas não o serão os recursos humanos. Há muitos portugueses aposentados que de bom grado rumariam a essas paragens e se ocupariam, quase sem custos acrescidos, do muito que há a fazer. Assim as autoridades pátrias o reclamem.
Como aposentado, digo: presente! E sei que não estou sozinho!
Finalizando: Não sei como será recebido este livro. Até poderá ser entendido como um malamanhado ramalhete de versos. Que seja! Não busco louros nem nunca enverguei a jactância de me considerar um talento das Letras pátrias.
Com este livro apenas cumpro um dever de gratidão. E esta minha atitude terá de ser respeitada. É pouco o que dou? Talvez seja pouco, muito pouco, mas dei o que pude. E se mais não dei foi porque não pude mais. Ou dizendo de outra maneira, e parafraseando Camões: Se mais pudera, mais dera!
José-Augusto de Carvalho


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publicado por Do-verbo às 14:32
Segunda-feira, 30 de Novembro de 2009


No lançamento do livro

«O meu cancioneiro»
 
 
 

Cine-Teatro de Viana
19 de Setembro de 2009.
 
 
 
 
 
 
 
Foto de Joaquim Filipe Bacalas

Boa noite!
É um privilégio estar neste Cine-Teatro, que vi erguer na já distante década de quarenta do século XX.
Aqui me traz a solidária manifestação de apoio do Município à edição do livro «O meu cancioneiro».
A este gesto de solidariedade se associaram a Escola E.B. 2,3/S. Dr. Isidoro de Sousa, a CulArtes, a Oficina da Criança e todos os presentes para assinalarem o lançamento de um modesto livro de poemas que a «Temas Originais» editou e o Professor António João Valério e a Poetisa Conceição Paulino se predispuseram muito amavelmente a apresentar.
Às entidades aqui representadas, aos editores, aos apresentadores do livro e a todos os presentes aqui publicamente manifesto a minha gratidão.
Quanto ao livro, ele aqui está, disponível. Dos seus méritos e deméritos, o Juízo do Tempo decidirá, sempre com verdade, como convém. E a determinação de escrevê-lo estará justificada na pequena introdução que também redigi.
Como reiteradamente tenho afirmado, nada de relevante há a dizer de mim. Desempenhei, o melhor que pude e soube, a minha profissão.
Paralelamente, sempre escrevendo alguns versos, numa persistência que prossegue, agora, na situação de aposentado. Ontem como hoje, persigo a Poesia. Sei que é um esforço titânico, pois ela, a Poesia, se me apresenta como o horizonte — sempre à minha frente, mas nunca ao meu alcance. Que fique o esforço, já que o objectivo é demasiado!
Sem exibicionismo, apenas animado pelo espírito de uma cidadania interventora, escrevi dois textos expressamente para este momento, nas músicas tão conhecidas de “O sole mio” e “Torna a Surriento”, duas canções napolitanas mundialmente apreciadas.
Estes textos relevam a visão da sociedade que percebi na adolescência, que amadureci na idade adulta, que me acalenta na fase derradeira da vida, sempre com a mesma esperança de que, um dia, o ser humano saberá ser digno de si mesmo, num abraço fraternal do tamanho do mundo.
Até sempre!
Bem-hajam!
José-Augusto de Carvalho
Viana, 19/9/2009

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publicado por Do-verbo às 14:11
Segunda-feira, 30 de Novembro de 2009

OUTONAIS
(poemetos)

01)O feto, o que diria
Se pudesse falar?
(Prometo nunca mais Amar!)

02)As etiquetas
Denunciam
O defeito de fabricação
É de quem veste a roupa

03)Eu te escrevo, Vida
Como um louco escriba
Delata a própria sobrevivência
Em carne viva

04)Itararé não existe
É a mais pura ilusão
Palco iluminado alegre & triste
Na cor púrpura do meu coração

05)Era tão mal falada
Que só tinha uma saída
Ir morar lá na Índia
Para então ser sagrada

06)Rio-me de mim
Quando me vi, verme

07)As goteiras
São estrelas
Que, por sê-las
Esqueceram de usar rímel

08)No dia que vim-me embora
Meu pai não cabia em si
E minha mãe chorava, chorava e chorava
Enxugando as lágrimas numa avental sujo
De pimenta cumari


Silas Corrêa Leite
Estado de São Paulo, Brasil


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publicado por Do-verbo às 14:04
Segunda-feira, 30 de Novembro de 2009

Quem é Silas Corrêa Leite?


Silas Corrêa Leite é autor de um vasto material ainda inédito, de romances a trabalhos sobre a Prática Educacional Vivenciada, poesia para jovens, coletânea de contos de realismo fantástico e outros. Ele conta, com a eloquência que lhe é peculiar, que pensa em traduzir seus trabalhos e tentar lançá-los no exterior, como fez com sucesso Ignácio de Loyola Brandão.Mas, sua versatilidade não pára por aí:
” Componho rocks, alas & blues, tenho pesquisas sobre Ética e Cidadania da Comunidade Carente e trabalhos para o público infanto-juvenil”.
Silas é membro da UBE-União Brasileira de Escritores.“Sou uma espécie de ” plantador de sonhos”, um “inventor do inexistente”, eterno aprendiz da alma humana, sonhando um neosocialismo de resultados.
” Escrevo para não ficar louco, ou melhor, para livrar-me do que crio, feito um “Sentidor”, para citar Clarice Lispector. A poesia que produzo é a oxigenação da minha alma”, ele diz. Ele se define como ” um Rimbaud pós-moderno (antena da época) que não acredita em sonho que não seja libertação, e registra para o futuro esses tempos tenebrosos de primatas globalizando a miséria absoluta e a violência sem fronteira, num país continental de muito ouro e pouco pão. Acredito, também, que só a mulher pode mudar o mundo. Como nem sempre elas captam funcionalmente isso, prefiro escrever meu despojo insano para dar meu testemunho nessa difícil lição da viagem de Existir”.
Silas colabora com diversos Suplementos Culturais, jornais, revistas e tablóides, com artigos, resenhas críticas, poemas, microcontos, trabalhos sobre “teens”, Educação, Política, Terceira Idade, Ética e outros temas.
Dentro do Mapa Cultural Paulista (Secretaria de Estado de Governo), foi escolhido por dois anos, representando Itararé, como um dos dez melhores contistas do Estado São Paulo.
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publicado por Do-verbo às 13:55
Segunda-feira, 30 de Novembro de 2009

O saudoso escritor Manuel da Fonseca, no seu livro «seara de vento», coloca na boca da personagem Amanda Carrusca esta sábia sentença: Um homem sozinho não vale nada.

Não querendo ser um homem sozinho, aqui homenageio a presença de quem se predipôs a honrar-me e a honrar este espaço com a sua presença.
Espero e muito desejo que os visitantes deste blogue apreciem os meus Amigos nos textos que deles publico, pretendendo eu, com estas publicações, testemunhar-lhes a minha gratidão por concordarem em enriquecer este espaço.
Até sempre!
José-Augusto de Carvalho
Viana de Fochem*Évora*Portugal

 

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publicado por Do-verbo às 13:22
Segunda-feira, 30 de Novembro de 2009

 

 

Cumprida a rotação,
marcava mais um dia o calendário.
E sempre este fadário
de versos na tristeza da canção.

É noite, agora? Ou dia? Quem o sabe?
Dolentes guitarradas
gemem desesperadas
no tempo do silêncio que lhes cabe.

A voz se solta rouca e chora o canto
fatal do sofrimento,
enquanto o xaile negro, em negro manto,
enluta o desespero do lamento.

E assim, no desencontro da existência,
monótona se cumpre a rotação,
sofrida no fadário da cadência
que marca o calendário da canção.


 

 

 José-Augusto de Carvalho
6 de Março de 2009.
Viana * Évora * Portugal
 
 
Quadro «O Fado», do pintor José Malhoa*José Vital Branco Malhoa(Caldas da Rainha, 28 de Abril de 1855 – Figueiró dos Vinhos, 26 de Outubro de 1933),Pintor, desenhista e professor português.


publicado por Do-verbo às 13:10
Segunda-feira, 30 de Novembro de 2009

Sempre no meu peito,
aroma da flor,
meu amor-perfeito,
meu perfeito amor.

E sempre, na cor,
o perfeito encanto
da graça da flor
que encantado canto!

Nesta condição
de querer-te tanto,
quero ser o chão
onde, em mim, te planto!

Medra no meu chão,
minha flor de encanto,
e o meu coração
envolve em teu manto!

E quando eu me for,
que ainda em meu peito,
vicejes, em flor,
meu amor-perfeito!


 

 
 
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José-Augusto de Carvalho
26 de Março de 2009
Viana de Fochem*Évora*Portugal


publicado por Do-verbo às 12:58
Domingo, 29 de Novembro de 2009
 
 
 
 
Cultivo tantos eus no sacro chão de mim!
E, tantos, são um só, em êxtases dispersos…
Farpelas de burel ou mantos de cetim,
são peregrinos de alma os ecos dos meus versos.

A ventania açoita os caules indefesos…
Regela, em agressões, o tempo de invernia…
Meus ombros, de cansaço exaustos, sob os pesos
que escurecendo vão promessas de áureo dia…

O tempo da colheita é tempo sazonado.
Semente germinada, ousada na raiz,
incerto, o caule tenro em haste transformado,
abraça, sem pudor, as ervas dos adis.

No topo, assoma, verde e tímido, o botão…
Cumprido o ciclo, a flor perfumará meu chão?
 

José-Augusto de Carvalho
7 de agosto de 2004
Viana do Alentejo * Évora * Portugal
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publicado por Do-verbo às 12:08
Domingo, 29 de Novembro de 2009
 
 

 

Às vezes sinto que a palavra apouca
o tanto que queria fosse dito…
É quando o desespero me abre a boca
e tudo se liberta num só grito.



 
Um grito que ressoa além de mim,
e vindo das angústias ancestrais,
abarca, do princípio até ao fim,
anseios tão de menos, tão de mais…



 
Não quero ser de mais, nem ser de menos.
Apenas eu, aqui, no tempo certo.
Saber que sermos grandes ou pequenos
é porque estamos mais ou menos perto.



 
É sempre a perspectiva do meu grito
que tolhe o que calei, o que foi dito…

 

 
 
 
José-Augusto de Carvalho
10 de maio de 2005.
Viana * Évora * Portugal
 
 
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publicado por Do-verbo às 12:02
Domingo, 29 de Novembro de 2009
 
 
 
As muralhas e a torre
de menagem…
O passado percorre,
assombrado, a paisagem…
 
Que relógio parado
este tempo lacera?
Que caminho assombrado
só esta angústia gera?
 
Que mentira projecta
o teu verbo no mito?
Que assombrado poeta,
sem asas de infinito,
fica olhando as estrelas
sem saber merecê-las?


 
José-Augusto de Carvalho
8 de Outubro de 1998.
Viana do Alentejo*Évora*Portugal
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publicado por Do-verbo às 11:56
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