Sexta-feira, 05 de Julho de 2013

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Cada dia que passa o mundo é mais pequeno.

As notícias que chegam desnudam as misérias do embuste,

do embuste que se reclama dos direitos humanos.

 

O embuste que avilta a dignidade dos homens,

O embuste que enlameia a honra das mulheres,

O embuste que assassina a inocência das crianças,

O embuste que disputa os despojos da infâmia que gera.

 

O embuste que, em frenético leilão,

Compra e vende consciências.

 

O embuste que clama pelo fim dos tempos:

É preciso vender!

É urgente vender!

É inadiável vender

As manhãs orvalhadas de vida,

As noites enamoradas dos rouxinóis,

O mar salgado de lágrimas dos desencontros dos amantes,

As auroras da esperança!

 

O embuste que inventou os pobres

e lava a consciência das aparências

nas águas salobras da caridadezinha e das esmolas.

 

O embuste que inventou a lotaria,

a lotaria que faz um rico e desespera milhões de pobres...

 

O embuste da palavra que anestesia os ofendidos

e tortura os sonhos da noite da servidão.

 

O embuste que vocifera do cimo do palanque:

É preciso calar os gritos dos humilhados!

É urgente sufocar o sangue dos revoltados!

É inadiável crucificar todos os perigosos malvados,

esses perigosos malvados que sabem conjugar

o verbo em todos os tempos!

 

 

José-Augusto de Carvalho

1 de Julho de 2013

Viana * Évora * Portugal



publicado por Do-verbo às 00:29
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