Sexta-feira, 10 de Junho de 2011

Árvores de Vidas



Eu aprontava muito quando guri, e o pai
Vendo que só vara de marmelo não resolvia
Dava-me pitos cascudos e punha-me a plantar em casa
No quintal frondoso a lavoura de alfaces e milharais
Entre o castigo de ler dicionários, jornais e a Bíblia

Como eu gostava muito de macarrão, um dia
Plantei vários talos de macarrão espaguete
Que ficou verde; fui que fui contar pimposo pra mãe
Que o macarrão tinha pegado; tava brotando
Feito legume em terra chã - com estrume e regador

Todo mundo cerriu muito lá em casa esse dia
-Tá encardido, disse a minha irmã Sueli de tromba
Erzita outra irmã explicou que estava era apodrecendo
Porque macarrão não cresce em árvores como pitanga
Ou como gabirova, jabuticaba branca ou ariticum

E eu que já tinha sondado outros plantios e regas
Numa lavoura até de macarrão-gravatinha, ou, ainda
Pés de salsichas em lata, pés de Crush, tudo para mim
Que pensava dar em árvores – até arvore de passarinhos
Como galho de pencas de pardais no meu encantário...

Pelo jeito eu ainda criança já era poeta – e não sabia
A árvore da vida dá sofrências e alegranças também
Contei pro filho Thiago o pé de macarrão que um dia plantei
E ele todo ridente soube que seu pai um dia também foi criança
E errou, pintou e bordou. Mas também sonhou e venceu

Hoje meu filho Thiago Frederico é a minha árvore
Que já teve lágrimas mas florirá muitas esperanças na vida
E nos canteiros da terra semearemos além do nosso reencontro
Árvores de abraços, afetos, conquistas, pertencimentos
Porque, afinal, todos somos flores e frutos dessa vida


Silas Correa Leite



publicado por Do-verbo às 14:56
Registo de mim através de textos em verso e prosa.
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