Quarta-feira, 18 de Junho de 2014

HAICAIS III

 

 

José Augusto Carvalho

 

 

 

Minha angústia é exemplar:

Eu me perdi de mim mesmo,

Quando tentei me encontrar.

 

Se Cristo voltasse ao povo,

Os evangélicos iriam

Crucificá-Lo de novo.

 

E “depois deste desterro”

Talvez eu faço por onde

Não ir ao meu próprio enterro.

  

 

Eis a implicação dos ateus:

Se Deus fez tudo do nada,

O nada é a essência de Deus.

 

Só pela honra o homem se mede.

É por isso que o político

É só um animal que fede.

 

 

Tenho horror a políticos, confesso.

Estou cansado de pagar impostos

Pra sustentar pilantras do Congresso.

 

Perdão a mim mesmo rogo:

Matei em mim a criança

Na ânsia de crescer logo.

 

Esta verdade salta aos olhos meus:

Se Deus tem o poder de vida e morte,

O menor, no Brasil, então é Deus.

   

Da religião foi o diabo o inventor

Para que o homem ingenuamente o sirva

Mas na ilusão de que serve ao Senhor.

 

Perdoe-me se sou assim,

Mas eu me tornei o resto

Do que soçobrou de mim

 

Se Deus é onipresente, além de eterno,

E se o inferno é algum lugar que existe,

Deus certamente está também no inferno.

 

O mundo que eu sonho rui,

E resta só a saudade

Daquilo que eu nunca fui.

 

Criado o mundo, Deus, com a alma cansada,

Quis descansar, espreguiçou, dormiu,

E desde então não quis fazer mais nada.

 

Capitu... Diadorim...

O melhor já foi criado!

Não sobrou nada pra mim!...

 

Cansado de não ter uma plateia

Deus fez o homem pra ser adorado

E ainda não viu burrice nessa ideia.

 

Eu da vida nada espero.

Na escala de zero a dez,

Fiquei abaixo do zero.

 

O velho já não sabe o que fazer:

É covarde demais para matar-se

Mas lhe falta coragem de viver.

 

Não sou bom, não sou mau. Eu sou assim:      

Perdi a infância e a adolescência, e tanto

Que me tornei o que sobrou de mim.

 

Ideal que me proponho:

Sonhar a vida que levo,

Levando a vida que eu sonho.

 

Quando eu morrer, um fã devotado

Me inventará um milagre

Para eu ser canonizado.

 

Nascer, viver, morrer... a vida é assim.

Quando se morre, a morte é para sempre,

E nada recomeça após o fim.

 

Se o mal te atinge, pondera:

Pois, por mais que dure o inverno,

Sempre chega a primavera.

 

Pus no atril a partitura

E executei sem compassos

Os dós da minha amargura.

 

A criança que há em mim desponta

E eu invento a minha vida

Num mundo do faz de conta.

 

Já não há  mais quem aguente:

Políticos são prova viva

De que Deus odeia a gente.

 

Uma verdade sem graça:

A gente morre um pouquinho

A cada dia que passa.

 

O sexo engorda – dizias.

Então vou passar o tempo

Te enchendo de calorias.

 

Melhor idade? – Tolice.

Melhor idade é a do jovem.

Por que não dizer “velhice”? 



publicado por Do-verbo às 17:55
Registo de mim através de textos em verso e prosa.
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